Trump volta a ameaçar Brics com tarifa de 10%; Brasil prega cautela diante de tensão cambial

O presidente dos Estados Unidos Donald Trump, voltou a ameaçar os países do Brics com a imposição de uma tarifa de 10% sobre produtos importados, em meio à crescente preocupação com a desvalorização do dólar. A informação foi destacada pela comentarista de economia da CNN Brasil, Rita Mundim, que apontou um cenário de tensão geopolítica […]

09 jul, 2025
Foto destaque: Trump atual Presidente dos EUA (reprodução/Joe Raedle/Getty Images Embed)
Foto destaque: Trump atual Presidente dos EUA (reprodução/Joe Raedle/Getty Images Embed)
Atual Presidente do EUA o Trump

O presidente dos Estados Unidos Donald Trump, voltou a ameaçar os países do Brics com a imposição de uma tarifa de 10% sobre produtos importados, em meio à crescente preocupação com a desvalorização do dólar. A informação foi destacada pela comentarista de economia da CNN Brasil, Rita Mundim, que apontou um cenário de tensão geopolítica e comercial cada vez mais acentuado.

Trump vem fazendo pelo dólar

Segundo Mundim, Trump vem atribuindo a perda de valor da moeda americana à atuação do Brics, bloco composto por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, além de novos integrantes recentes, como Irã, Egito e Etiópia. Contudo, outros fatores têm contribuído para esse movimento, como os próprios aumentos tarifários promovidos pelo republicano, a expectativa de inflação nos Estados Unidos e a queda na demanda global por títulos do Tesouro americano.

Indicadores reforçam a tendência. O índice BXY, que mede o desempenho do dólar frente a seis das principais moedas do mundo, acumula queda de quase 11%, na maior desvalorização desde 1973. “Trump está irado e extremamente preocupado”, comentou Mundim. A especialista não descartou a possibilidade do ex-presidente ampliar ainda mais a tarifa anunciada, a exemplo do que já ocorreu com alguns países asiáticos, onde as alíquotas ultrapassaram os 30%.

Alckmin defendeu abordagem cautelosa


Presidentes dos países do Brics (Foto: reprodução/Per-Anders Pettersson/Getty Images Embed)


Diante do novo sinal de hostilidade comercial, autoridades brasileiras têm reforçado a necessidade de diálogo. O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, defendeu uma abordagem cautelosa. Já o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que há um grupo técnico do governo brasileiro em contato constante com representantes norte-americanos para evitar um agravamento da situação.

Mundim classifica o momento como parte de uma “nova guerra fria”, impulsionada por disputas ideológicas e pelo avanço das discussões em torno de uma moeda alternativa ao dólar nas transações globais.

Há um realinhamento geopolítico e uma revolução silenciosa no comércio internacional em curso”, disse.

A possível ascensão do yuan, impulsionada pela China dentro do Brics, seria um dos fatores que mais incomodam Washington.

Para o Brasil, o contexto impõe desafios. Ao integrar um bloco que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva descreve como responsável por 40% do PIB mundial, o país precisa equilibrar seus interesses estratégicos com a manutenção de boas relações comerciais com os Estados Unidos. A busca por alternativas ao dólar, conforme palavras de Lula, é um caminho “sem volta”, o que só aumenta as tensões no tabuleiro global.

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