Alcione, Zeca Pagodinho e Jorge Aragão reúnem clássicos do samba em SP

Trio apresenta espetáculo histórico “O Maior Encontro do Samba” no Nubank Parque com participação especial de Martinho da Vila outro ícone da música

22 jun, 2026
Alcione, Zeca Pagodinho e Jorge Aragão | Reprodução/Instagram/@omaiorencontrodosamba
Alcione, Zeca Pagodinho e Jorge Aragão | Reprodução/Instagram/@omaiorencontrodosamba

Alcione, Zeca Pagodinho e Jorge Aragão levaram a turnê histórica “O Maior Encontro do Samba” ao palco do Nubank Parque, na capital paulista, na noite deste sábado. O espetáculo inédito consagrou a união de três das trajetórias mais vitoriosas e emblemáticas da música popular brasileira. Embalado por uma sequência vigorosa de clássicos que moldaram a identidade cultural do país, o show arrebatou o público paulistano em uma noite marcada pela exaltação às raízes do gênero e por momentos de profunda reverência entre os artistas.

A apresentação em São Paulo integra a aguardada turnê que marca o primeiro projeto oficial dos três grandes nomes dividindo o mesmo palco ao longo de uma noite inteira. Antes de desembarcar em solo paulista, o show teve sua estreia oficial na mítica arena do Maracanã, no Rio de Janeiro, no dia 6 de junho. Após a calorosa acolhida paulistana, a agenda do trio prevê passagens por outras importantes capitais brasileiras, incluindo Brasília, Curitiba, Porto Alegre, Belo Horizonte e Salvador, consolidando o projeto como um dos grandes marcos da música nacional neste ano.

Sinfonia de sucessos abre a noite em formato de roda

O trio entrou no palco de braços dados, pouco depois das 20 horas, sob uma ovação calorosa do público. A abertura dos trabalhos musicais deu-se com “Mutirão de Amor”, clássica parceria assinada por Zeca Pagodinho e Jorge Aragão que ganhou o Brasil e se tornou imortalizada justamente na voz potente de Alcione. Nos primeiros versos da canção, pequenos sinais de problemas técnicos no retorno de som dos artistas chegaram a se manifestar, porém a falha foi rapidamente contornada pela equipe técnica e a apresentação seguiu seu curso natural sem qualquer interrupção.


 

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Trio fez o primeiro de três shows no Nubank Parque (Vídeo: reprodução/Instagram/@radioalphafm)


Logo após o número inicial, a dinâmica do espetáculo ganhou contornos mais intimistas e tradicionais. Alcione, Zeca e Aragão foram acomodados em confortáveis cadeiras posicionadas estrategicamente no centro do palco. A disposição cenográfica conferiu ao megashow o formato acolhedor de uma autêntica roda de samba de terreiro, permitindo que os artistas alternassem solos individuais, duetos emocionantes e momentos em trio. Entre uma execução musical e outra, o clima descontraído prevaleceu, com o trio fazendo comentários breves, relembrando histórias de bastidores e trocando brincadeiras constantes com a plateia.

Repertório consagra carreiras e resgata patrimônio popular

A primeira metade do roteiro musical concentrou uma avalanche de sucessos que pavimentaram as respectivas carreiras dos três sambistas. A Marrom, esbanjando técnica e a costumeira presença cênica, emocionou a plateia ao cantar faixas obrigatórias de seu repertório passional, tais como “Você Me Vira a Cabeça”, “A Loba”, “Estranha Loucura”, “Sufoco” e “Gostoso Veneno”. Na sequência, a malandragem carioca e o carisma de Zeca Pagodinho tomaram conta do microfone com hinos do subúrbio, a exemplo de “Verdade”, “Saudade Louca”, “Maneiras” e o hino de resignação “Deixa a Vida Me Levar”. Por sua vez, o mestre Jorge Aragão desfilou sua sofisticação melódica ao entoar as poéticas “Eu e Você Sempre”, “Malandro”, “Lucidez” e “Moleque Atrevido”.

Para além das canções autorais e das marcas registradas de cada um, o roteiro estendeu-se em uma justa homenagem ao vasto patrimônio coletivo da música brasileira. O trio trouxe para o show peças fundamentais de outros compositores que habitam o imaginário nacional. Nesse segmento, o público pôde testemunhar releituras de “As Rosas Não Falam”, obra-prima de Cartola, bem como “O Sol Nascerá”, fruto da parceria de Cartola com Elton Medeiros. A exaltação continuou com “A Voz do Morro”, clássico imortal de Zé Keti, e atingiu um dos pontos altos de catarse coletiva com a execução de “Não Deixe o Samba Morrer”, de Edson Conceição e Aloísio Silva, cantada em uníssono pelas milhares de vozes presentes.

A excelência musical apresentada no palco é fruto de uma engrenagem refinada nos bastidores. A direção musical do espetáculo é assinada pelo prestigiado músico Pretinho da Serrinha. Especialmente para a turnê, uma superbanda exclusiva foi montada para acompanhar o trio no projeto, sem repetir integralmente os músicos que já integram os shows solo de cada artista. Complementando o time de criação, a direção artística e a concepção visual do projeto levam a assinatura de Leninha Brandão.

Martinho da Vila e Arlindinho coroam festa no encerramento

A grande surpresa e sofisticação da noite paulistana ficou por conta da participação especial de Martinho da Vila, anunciado como o convidado de honra exclusivo das apresentações em São Paulo, agendadas para os dias 20 e 21 de junho. O veterano cantor e compositor pisou no palco quando o show já se aproximava de seus 90 minutos de duração. Demonstrando a costumeira elegância e cadência, Martinho dividiu os microfones com Alcione, Zeca e Aragão, revisitando uma sequência preciosa de pérolas extraídas de seu próprio cancioneiro.

A sequência comandada por Martinho incluiu os sucessos históricos “Canta, Canta, Minha Gente”, “Disritmia”, “Ex-Amor”, “Mulheres” e “Madalena do Jucu”. Durante a interpretação de “Mulheres”, o público paulistano assumiu o protagonismo, entoando os versos iniciais em um coro limpo e impressionante que ecoou por todo o Nubank Parque. Após o bloco solo, o lendário sambista fluminense permaneceu no palco ao lado dos três anfitriões, integrando-se em definitivo para a reta final e apoteótica da apresentação.

A histórica noite paulistana foi encerrada em clima de carnaval e celebração com a catártica “Vou Festejar”, composição amplamente associada à voz inesquecível de Beth Carvalho e intimamente ligada ao repertório autoral de Jorge Aragão. Para coroar a festa, o cantor Arlindinho, que havia sido o responsável direto por abrir os trabalhos da noite com um emocionante show de tributo ao seu pai, o mestre Arlindo Cruz, retornou ao palco no último número. Unindo gerações e geografias, o encerramento reiterou o propósito maior da turnê: celebrar a perenidade e a força do samba como o coração pulsante da cultura popular brasileira.

Matéria por:  Thiago Otero

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