Ed Motta revisita polêmicas, admite arrependimento e volta a cantar em português em novo álbum
Aos 55 anos, o cantor lança seu 15º álbum em português depois de mais de dez anos e reflete sobre polêmicas geradas em lives no Instagram
Ed Motta, 55 anos, lança Toc-Toc, seu 15º álbum, marcando seu retorno ao português após mais de uma década longe de canções na língua. O disco, pela gravadora alemã MPS, dialoga com a sonoridade de Manual Prático para Festas, Bailes e Afins. Em conversa com a GQ Brasil, o cantor carioca reconhece os arrependimentos causados por polêmicas recentes.
O novo disco em português
A trajetória de Ed Motta no soul brasileiro inclui marcos como Manuel (1988), Fora da Lei (1997) e Colombina (1988). Nos últimos anos, mergulhou em narrativas inspiradas por filmes de faroeste e cinema francês, ampliando suas experimentações sonoras. O novo projeto representa uma inflexão: o artista busca composições com maior síntese e deixa sua concepção sobre o formato pop muito clara.
“O pop não precisa ser um hambúrguer plastificado. Existe uma gama de possibilidades dentro do que é pop”
Essas palavras revelam o cuidado na construção de Toc-Toc. Motta dedicou tempo para trabalhar com estruturas mais enxutas, em contraste com produções anteriores de maior amplitude. A mudança aparece tanto na forma sonora quanto na decisão deliberada de voltar à língua portuguesa.
Ed Motta lança álbum Toc-Toc (Áudio: reprodução/Spotify/Ed Motta)
Polêmicas nas redes e reflexão
As transmissões ao vivo no Instagram transformaram Ed Motta numa figura polarizada entre seus seguidores. As lives geram frequentemente memes e debates acalorados. Em 2024, uma declaração do cantor reverberou pela internet: “qualquer um que ouve hip-hop é burro. Qualquer um, qualquer um. Sem exceção”
A repercussão foi rápida. Motta explica que reagiu a uma situação incômoda do momento. Sobre o episódio, coloca: “Me arrepender é pouco: foi um equívoco”
O cantor reafirma seus vínculos com músicos do Racionais MC’s e sua produção para Ice Blue, demonstrando que sua história ultrapassa uma fala impulsiva. Quando indagado sobre as lives, reflete: “Mas as lives são como ter a minha própria televisão para falar o que quiser”
Em maio deste ano, um episódio em restaurante no Rio trouxe nova polêmica. Ed Motta arremessou uma cadeira durante cobrança de taxa de rolha e enfrentou investigação por injúria racial após xingar um garçom. O caso ilustra a personalidade frontal do artista.
Raízes e formação musical
Sobrinho de Tim Maia, Ed Motta iniciou como baterista em bandas de rock durante os anos 1980, bebendo a energia de grupos punk como Olho Seco, Ratos de Porão e Inocentes. Sua bagagem intelectual segue a mesma heterodoxia: aos 12 anos, lia Mikhail Bakunin. A música brasileira entrou em seu repertório aos 22 anos, atravessado por Tom Jobim e Chico Buarque.
O artista mantém mais de 30 mil discos e trabalha em novas composições semanalmente. Casado há décadas com Edna Lopes, quadrinista, vive embebido no universo musical. Em podcast, criticou especificamente a banda Jamiroquai, preferindo o trabalho do cantor Belo. Limita suas preferências à música gravada entre 1930 e 1983.
Toc-Toc será apresentado em show no Teatro Bradesco, em São Paulo, no dia 16 de outubro. O álbum saiu pela MPS sem intervenção editorial, refletindo a autonomia criativa que sempre buscou. Motta deixa evidente seu desinteresse pelo mercado musical atual.
