Após desafios de saúde, Halsey assume lado roqueiro e comanda show marcante no Rock in Rio

A cantora americana dominou o Palco Mundo com energia teatral, guitarras roqueiras e forte conexão com a plateia, apresentando sua faceta mais punk-rock

14 set, 2026
Halsey | Reprodução/Instagram/@multishow
Halsey | Reprodução/Instagram/@multishow

Halsey subiu ao Palco Mundo do Rock in Rio no domingo (13), dois dias depois de compartilhar que estava com uma “infecção pesada no rosto” e “se entupindo de remédio”. Em sua estreia no festival, a cantora americana fez apresentação potente e agressiva, sem demonstrar qualquer sinal de fragilidade no palco.

O histórico de saúde de Halsey é extenso. Ela já dividiu com fãs problemas com endometriose, câncer no sangue e até um aborto no palco. Nas redes sociais dias antes do show, revelou que enfrentava episódios recorrentes de sinusite. A medicação que tomava para controlar a infecção não a impediu de subir ao palco com domínio total, segundo o g1.

A performance: energia e teatralidade

Durante os 75 minutos de apresentação, Halsey gritou, brincou com fogo do cenário e subiu e desceu escadas que levavam até seu castelo virtual. Rolou pelos degraus, convocou o público para pular e dominou cada metro do palco. O figurino era composto por um vestido branco de babados e corselet, com uma bota sangrenta que completava a estética teatral e agressiva da noite.

A maioria das músicas veio do álbum If I Can’t Have Love, I Want Power, lançado em 2021. O disco é conceitual e aborda aspectos positivos e negativos da gravidez e do parto através de uma perspectiva feminista. Nele, Halsey encontra uma vertente bem mais punk-rock, com letras focadas em temas que abordam o patriarcado e a misoginia. O álbum serviu como base temática e sonora para toda a produção.


Show de Halsey (Vídeo: reprodução/YouTube/Globoplay)


Halsey abriu a apresentação com Nightmare, em que canta sobre mentiras em que já acreditou e confiança que depositou em homens. Seguiu com I Am Not a Woman, I’m a God e Dog Years, esta última acompanhada por uma enorme coleira presa com corrente que ela usava durante toda a performance. Em If I Can’t Have Love, I Want Power, estimulou a formação de rodinhas punks no público, uma experiência que tem acompanhado ao redor do mundo.

Setlist: sucessos de todos os álbuns

  • Nightmare
  • I Am Not a Woman, I’m a God
  • Dog Years
  • You Asked for This
  • Castle
  • Colors
  • Experiment on Me
  • Honey
  • If I Can’t Have Love, I Want Power
  • Closer (com The Chainsmoakers)
  • Without Me
  • Lonely Is the Muse

Durante Without Me, Halsey pediu para que o público ligasse as luzes dos celulares. A faixa, lançada em 2020, foi composta durante uma passagem anterior da cantora pelo Brasil. Ao ver o resultado das luzes dos aparelhos, Halsey se assustou e chamou de “inacreditável”.

Antes de cantar Honey, Halsey questionou o público sobre o que ama ver ao redor do mundo. Respondeu a sua própria pergunta com uma declaração direta: “Sabem uma coisa que eu amo ver ao redor do mundo? Mulheres. Eu amo mulheres. Mulheres sendo livres e sexies”

A frase conecta com a temática feminista que permeia todo o álbum e marca o tom da noite. Halsey encerrou o show com Lonely Is the Muse, do álbum The Great Impersonator lançado em 2024. No final, apareceu com nariz sangrando como parte da encenação, um efeito visual que integrava a produção do espetáculo.

Halsey lançou seu primeiro trabalho em 2014 de forma independente e se tornou um dos maiores nomes do pop alternativo. Sua carreira mescla gêneros como rock, R&B, trap e música eletrônica. Encerrou sua turnê Back to Balands em fevereiro e desde então faz apresentações em festivais com a turnê The Girl in the Tower, da qual o Rock in Rio foi parte.

Esta era a quinta passagem de Halsey pelo Brasil. Apesar de seus relatos confessionais e letras sobre vivência pessoal, no palco a cantora deixa de fora qualquer sinal dos desafios que enfrenta. A performance no domingo (13) demonstrou força e domínio total, a dois dias de uma infecção que exigia medicação constante.

Mais notícias