Peppino Di Capri morre aos 86 anos e deixa legado na música italiana
Cantor marcou gerações com sucessos como “Champagne” e construiu uma das carreiras mais importantes da música italiana
O cantor e pianista italiano Peppino Di Capri morreu neste sábado (11), aos 86 anos, deixando uma trajetória marcante na música italiana. O artista estava afastado dos palcos devido a questões de saúde, mas a família optou por não informar a causa da morte.
O velório acontecerá na Villa Castiglione, na ilha de Capri, cidade pela qual o músico nutria grande carinho. A cerimônia de despedida está marcada para a tarde deste domingo (12), na antiga Catedral de Santo Stefano, localizada na Piazzetta, em Capri. Peppino deixa os filhos Igor, de seu primeiro casamento, além de Edoardo e Daria, frutos da união com Giuliana Gagliardi.
Início da carreira
Nascido Giuseppe Faiella, em 27 de julho de 1939, na ilha de Capri, Peppino Di Capri demonstrou talento para a música ainda na infância. Aos quatro anos de idade, já se apresentava ao piano para soldados norte-americanos que estavam na região durante a Segunda Guerra Mundial.
A convivência com diferentes influências musicais contribuiu para a formação de seu estilo, que combinava a tradição da música napolitana com elementos do rock, do twist e do pop internacional.
Ao lado da banda Rockers, tornou-se um dos símbolos da renovação da música italiana nos anos 1960. O reconhecimento internacional também veio quando foi escolhido para abrir os shows dos Beatles durante a passagem do grupo pela Itália, em 1965.
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Peppino Di Capri no Festival de Sanremo, em 1973 (Foto: reprodução/Instagram/@peppinodicapri_official)
Experiência com os Beatles
Na época, Di Capri já era um dos artistas mais populares da Itália e foi responsável por abrir as apresentações dos Beatles em Milão, Gênova e Roma. A oportunidade fez com que recebesse o apelido de “quinto Beatle”.
Apesar do destaque nos palcos, a convivência entre os músicos nos bastidores foi limitada. Segundo relatos do próprio cantor, os integrantes da banda britânica mantiveram distância durante toda a turnê, mesmo dividindo voos e hospedagem. Apenas no encerramento da série de shows foi autorizada uma fotografia em conjunto.
Sucesso em Sanremo
O Festival de Sanremo representou um dos momentos mais importantes da carreira de Peppino Di Capri. Ao longo da trajetória, participou do evento em quinze ocasiões e conquistou duas vitórias: em 1973, com “Un grande amore e niente più”, e em 1976, com “Non lo faccio più”.
Em 2023, recebeu o Prêmio de Reconhecimento pela Carreira no Ariston Theatre, homenagem que celebrou mais de seis décadas dedicadas à música.
Entre seus maiores sucessos está “Champagne”, lançada em 1973. A canção ultrapassou gerações e se consolidou como um dos maiores clássicos da música italiana, sendo presença frequente em celebrações e eventos ao redor do mundo.
Ouça “Champagne” (Áudio: reprodução/Spotify/Peppino Di Capri)
Marca registrada
Conhecido pelo perfil discreto, Peppino Di Capri sempre preferiu manter distância do glamour do meio artístico. O cantor defendia a fidelidade ao próprio estilo musical e afirmava que nunca buscou seguir tendências passageiras.
Sua imagem foi construída sobre apresentações elegantes, interpretações marcadas pela técnica vocal e pela presença constante do piano, características que o transformaram em uma das referências da música popular italiana.
Peppino Di Capri homenageado no Festival de Sanremo em 2023 (Vídeo: reprodução/YouTube/Rai)
Cinebiografia
Em 2025, a emissora italiana RAI lançou a cinebiografia “Champagne – Peppino di Capri”, dirigida por Cinzia TH Torrini. O longa, protagonizado por Francesco Del Gaudio, retrata a juventude do artista, sua ascensão profissional, os relacionamentos e os principais momentos de sua carreira.
Peppino também participou da produção da trilha sonora do filme ao lado do filho Edoardo.
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Registro das gravações do filme “Champagne – Peppino di Capri” (Foto: reprodução/Instagram/@peppinodicapri_official)
Vida pessoal
Na vida pessoal, o cantor foi casado duas vezes. Em 1961, oficializou a união com Roberta Stoppa, inspiração para uma de suas canções, com quem teve o filho Igor.
Após o término do relacionamento, casou-se em 1978 com Giuliana Gagliardi, mãe de Edoardo e Daria. A morte da esposa, em 2019, depois de mais de quatro décadas de casamento, foi considerada um dos momentos mais difíceis de sua vida.
Matéria por Danielly Jesus
