Albânia planeja novo menor país do mundo

Albânia propõe Estado Bektashi de 27 hectares em Tirana, que pode se tornar o menor país do mundo, superando o Vaticano em território atual

24 set, 2026
Bektashis | Reprodução/X/@atlantiku.media
Bektashis | Reprodução/X/@atlantiku.media

A Albânia tem em vista o estabelecimento de um território autônomo em Tirana, dedicado à Ordem Bektashi, um ramo do islamismo. Com uma área de 27 hectares, este espaço seria inferior em dimensão ao Vaticano, que abrange cerca de 44 hectares. A ideia, trazida à tona pelo líder do governo albanês, Edi Rama, poderia resultar na formação do menor país existente. Contudo, o plano suscita debates acerca da autonomia, da prática religiosa e da formação de uma nação dentro das fronteiras da Albânia.

Proposta prevê Estado de 27 hectares

A iniciativa de Edi Rama propõe a fundação do que se chamaria “Estado Soberano da Ordem Bektashi”, localizado na capital da Albânia.
O espaço cogitado para essa futura nação teria uma extensão de 27 hectares, o que equivale a 0,27 quilômetro quadrado.
Se confirmado como um Estado independente, o território seria menor que o Vaticano em tamanho.
O Vaticano, com cerca de 44 hectares, detém o título de menor país do mundo em área territorial.

Esta proposta está diretamente ligada à sede global da Ordem Bektashi, situada em Tirana, onde a comunidade concentra suas principais edificações religiosas.
A ideia é que essa área adquira atributos de Estado, inspirada na relação entre o Vaticano e a Igreja Católica.
Contudo, a concretização da criação depende de trâmites legais e da definição das condições para que o território seja reconhecido como soberano.
Por isso, a sugestão se configura, no momento, como um projeto de Estado, e não como a existência de um novo país já estabelecido.

O plano também chamou atenção por envolver uma comunidade religiosa com forte presença histórica na Albânia.
As autoridades albanesas apresentaram a proposta como uma maneira de ressaltar a tradição Bektashi e sua visão do islamismo.
A discussão abrange ainda aspectos de soberania, considerando que a área em questão está atualmente dentro da capital albanesa.
Ademais, a ideia suscita debates sobre como um espaço religioso poderia vir a possuir as características de um Estado autônomo.

Quem são os Bektashis

A Ordem Bektashi constitui uma vertente do islamismo, com elementos associados ao sufismo, apresentando uma abordagem mística da religião.
Essa comunidade é também notória por promover o diálogo com outras crenças e linhas de pensamento.
De acordo com informações divulgadas pela tarde, a ordem defende uma interpretação do Islã considerada liberal.
No censo mais recente mencionado na publicação, pouco menos de 5% dos habitantes da Albânia se declararam Bektashis.

A presença dos Bektashis na Albânia ganhou relevância especialmente após as mudanças políticas e religiosas ocorridas na região.
A ordem tem sua sede mundial em Tirana e mantém um vínculo histórico com o país, onde encontrou refúgio após transformações na Turquia no século XX.
Durante o período do regime comunista na Albânia, as práticas religiosas foram reprimidas e propriedades ligadas a elas foram impactadas.
Com o fim do regime e a restauração da liberdade religiosa, a comunidade pôde retomar suas atividades no país.

A ideia de instituir o novo Estado também se conecta à intenção de projetar internacionalmente uma imagem de tolerância religiosa.
O conceito de “soft power”, mencionado nas reportagens, refere-se à influência exercida por meio de valores, cultura, políticas e atratividade, em detrimento da imposição.
No contexto albanês, essa iniciativa coloca a tradição Bektashi no centro de uma discussão que transcende o âmbito religioso.
O projeto passa a englobar também discussões diplomáticas, legais e territoriais pertinentes à criação de um potencial novo Estado europeu.


O Líder dos Bektashis na Albânia com o Líder dos Bektashis no Líbano (Foto: reprodução/Instagram/@marc.ghorayeb)


Apesar da proposta, o território ainda não constitui um país independente. A criação de um Estado soberano exige definições jurídicas e políticas, além das etapas necessárias dentro da Albânia.

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