Cientistas preveem consequências do Super El Niño, que pode ser o maior já registrado

Com pico previsto até 2027, fenômeno deve provocar seca no Nordeste, excesso de chuva no Sul, além de favorecer queimadas e encarecer alimentos

17 ago, 2026
El Niño deste ano pode o maior em 300 anos | Foto: reprodução/X/@revistaoeste
El Niño deste ano pode o maior em 300 anos | Foto: reprodução/X/@revistaoeste
O fenômeno altera a distribuição de chuvas pelo planeta

A Organização Meteorológica Mundial (OMM) divulgou mais um relatório sobre as consequências do Super El Niño deste ano. Nele, cientistas alertam que o fenômeno pode ser considerado um dos maiores já registrados pela ciência. A previsão é que as principais consequências sejam sentidas entre dezembro deste ano e janeiro de 2027.

É esperado que as águas do Pacífico aqueçam, variando de 2,9°C a extremos de 4°C acima do normal. Embora o fenômeno climático seja registrado desde o século XIV, o atual El Niño preocupa pelo potencial de provocar secas severas, enchentes e ondas de calor extremo no mundo todo, com impactos na distribuição de chuva pelo planeta.

El Niño terá impacto na economia

O alerta da OMM se estende ao cenário econômico global. De acordo com a organização, a falta de chuva em algumas regiões e o excesso em outras reduzirá a produtividade de alimentos, o que aumentará o custo de vida. Em cenários mais extremos, a entidade prevê o risco de escassez de itens básicos para a sobrevivência.


 

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El Niño deste ano pode ser considerado um dos maiores já registrados pela ciência (Vídeo: reprodução/Instagram/@portalg1)


Grandes produtores de grãos, principalmente de arroz, como Índia e China, já cogitam restrições nas exportações para garantir o abastecimento de seus mercados internos. Além disso, o Banco Mundial também apresentou projeções e alertou que o custo para reconstruir infraestruturas destruídas por enchentes e conter os efeitos da estiagem deve ultrapassar os US$ 5 bilhões até o início do próximo ano.

Os reflexos do fenômeno no Brasil

No Brasil, as projeções do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) confirmam que os efeitos do Super El Niño vão se acentuar entre a primavera e o verão. Segundo o instituto, nas regiões Norte e Nordeste, o fenômeno provoca ondas de calor e uma estiagem prolongada. Em contrapartida, os estados da Região Sul registram o oposto. São esperadas frentes frias, excesso de chuvas e alto risco de enchentes.

Além disso, o Inmet alerta para os riscos de queimadas, especialmente na região central do país, onde o clima será mais seco e com baixa umidade. O aviso também serve para a Amazônia, que receberá menos chuvas, favorecendo a propagação dos incêndios. No último El Niño forte no Brasil, o MapBiomas registrou 17.182 focos de incêndio, que devastaram mais de 30 milhões de hectares de vegetação natural.

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