Lula se afasta do caso Banco Master e STF visando campanha eleitoral
Parte da Corte se incomoda e enxerga movimento como parte de uma campanha; objetivo é evitar desgaste eleitoral por alinhamento ao Supremo
Depois de conceder entrevista ao portal ICL Notícias, na última quarta-feira (8), falando sobre projetos de governo e uma eventual candidatura para as eleições, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do PT, foi pauta de uma das alas do Supremo Tribunal Federal, que alegou uma estratégia adotada pelo petista visando sua campanha para presidência. A situação foi divulgada após conversa de Andréia Sadi, em seu blog do g1, com ministros do STF.
Distanciamento do caso Master
A percepção de parte dos parlamentares decorre do afastamento de Lula do caso do Banco Master, que vem sendo pauta nacional por conta do crime de fraude bilionária, cometido principalmente pelo dono do banco, Daniel Vorcaro, mas também pela relação do ex-banqueiro com pessoas ligadas ao Supremo Tribunal Federal, como é o caso de Dias Toffoli, que acabou saindo do caso por conta de mensagens citando seu nome, em referência a negócios de empresas parceiras e viagens.
Lula em encontro com Alexandre de Moraes (Foto: reprodução/Getty Images Embed/Evaristo Sa)
Durante a entrevista, o atual presidente da República contou sobre ter aconselhado o ministro Alexandre de Moraes sobre o caso, que, além de estar prejudicando a imagem do Supremo, também teve o nome da esposa de Moraes citado durante as investigações. Lula disse que o ministro não pode permitir que o caso de Vorcaro manche sua biografia, que é histórica por conta do julgamento de 8 de janeiro. Além disso, completou falando sobre o envolvimento pessoal:
“Primeiro, porque você não estava advogando no seu escritório há quase 15 anos, porque foi secretário da Justiça, foi ministro do Michel Temer, estava fora. Mas a sua mulher estava advogando. Diga que: ‘A minha mulher estava advogando, minha mulher não tem que pedir licença para mim, eu só prometo que aqui na Suprema Corte, em caso da minha mulher, eu me sentirei impedido de votar qualquer coisa’. Alguma coisa que passe para sociedade uma firmeza, que ele [Moraes] tem”.
Repercussão dentro da Corte
De acordo com aliados de Lula, a estratégia de se afastar do caso é voltada para se descolar da percepção social de que o governo e o Supremo estão entrelaçados, algo que pesaria em uma eventual eleição. Sendo assim, a decisão foi de que Lula deve manter uma posição pública, distanciando-se conforme o caso acontece, para evitar que essa ideia afete sua campanha.
Mesmo reconhecendo que esse movimento já estava sendo feito explicitamente, parte dos ministros não reagiu bem, já que, além de não render frutos concretos, pode acabar manchando ou gerando desavenças entre os Poderes, algo prejudicial principalmente para o cenário atual do STF.
A decisão tem como objetivo principal manter o nome do presidente longe das discussões e holofotes criados a partir de toda a repercussão do caso Master, além de que Lula terá de criar um novo programa de governo para se tornar um dos candidatos oficiais nas eleições nacionais, que acontecem em outubro deste ano.
