Alcolumbre busca apoio para continuar no comando do Senado em 2027

Disputa pela presidência do Senado em 2027 envolve alianças partidárias, negociações por cargos e a estratégia de Alcolumbre para garantir apoio

18 out, 2026
Davi Alcolumbre articula apoio para permanecer na presidência do Senado Federal, em 2027 | Reprodução/X/G1
Davi Alcolumbre articula apoio para permanecer na presidência do Senado Federal, em 2027 | Reprodução/X/G1

Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) tenta reunir apoio suficiente para permanecer na presidência do Senado Federal em 2027. A estratégia é construir uma maioria que reúna parlamentares de diferentes legendas e não dependa do resultado da eleição presidencial, seja com a continuidade de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no governo ou com uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

O principal obstáculo é a decisão do PL de lançar Rogério Marinho (PL-RN) à disputa. Com uma bancada prevista de 29 integrantes, o partido tem potencial para influenciar a eleição, mas enfrenta divisões internas: alguns de seus senadores mantêm relações políticas com o atual presidente da Casa.

Entre os nomes próximos de Alcolumbre está Eduardo Gomes (PL-TO), vice-presidente do Senado. Segundo aliados, ele poderá receber a relatoria do Orçamento de 2027, função que, conforme um acordo anterior, caberia a um senador do MDB. A possível mudança seria um sinal de aproximação com integrantes do PL.



Davi Alcolumbre (Vídeo: reprodução/Youtube/@g1)


Alianças ampliam as possibilidades de reeleição de Alcolumbre

A articulação também envolve partidos que não integram a legenda de Alcolumbre. Eduardo Braga (MDB-AM) e Otto Alencar (PSD-BA) já manifestaram apoio à continuidade do senador no cargo. Nos bastidores, as projeções sobre sua votação variam de 44 a 49 votos.

A preocupação de algumas lideranças é a concentração de influência política que poderia ocorrer caso o PL conquistasse a presidência do Senado durante um eventual governo de Flávio Bolsonaro. A autonomia do Legislativo e o controle sobre as emendas parlamentares estão entre os fatores considerados nesse debate.


Alcolumbre e Lula (Foto: reprodução/Evaristo Sa/AFP/Getty Images Embed)


O histórico da disputa também pesa nas negociações. Em 2023, Rogério Marinho tentou chegar à presidência, mas perdeu para Rodrigo Pacheco por 32 votos a 49. Na ocasião, o PL ficou sem representação na Mesa Diretora e sem comandar comissões por dois anos. Em 2025, a sigla apoiou Alcolumbre na eleição para o cargo.

A relação entre o presidente do Senado e Marinho voltou a ficar tensa durante uma sessão em que Alcolumbre retirou a PEC da Segurança da pauta. O senador do PL questionou a decisão, e o presidente respondeu que a medida havia sido tomada por iniciativa da própria Presidência da Casa.

Negociações envolvem cargos e indicação ao Supremo

A construção de apoio não se limita à votação da Mesa Diretora. Também tem conversado com senadores recém-eleitos e parlamentares que já ocupam cadeiras na Casa sobre a distribuição de gabinetes e apartamentos funcionais. Cargos vinculados à Presidência do Senado também fazem parte das articulações.

Outra questão política envolve Rodrigo Pacheco, atual ministro do Tribunal de Contas da União (TCU). Alcolumbre defende que o ex-presidente do Senado seja indicado para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF), possibilidade que teria consequências tanto para o governo federal quanto para as negociações no Congresso.


Davi Alcolumbre em votação contra a escala 6×1 (Foto: reprodução/Instagram/@davialcolumbre)


Uma eventual nomeação de Pacheco abriria uma cadeira no TCU, criando uma nova oportunidade de indicação. Aliados do atual presidente do Senado avaliam que a escolha também poderia fortalecer suas relações políticas, inclusive diante de um possível governo de Flávio Bolsonaro.

Já os parlamentares contrários à recondução do presidente do Senado consideram que a vaga no Tribunal de Contas poderia entrar nas negociações caso ele não consiga continuar à frente.

A eleição de 2027 será influenciada não apenas pelo tamanho das bancadas, mas também pela capacidade de cada candidato de formar alianças e negociar posições estratégicas dentro do Congresso Nacional.

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