Alcolumbre afirma que pressão por CPMI do Banco Master busca “palanque eleitoral”

Parlamentares pressionam pela instalação da comissão enquanto requerimentos se acumulam no Congresso e avançam no Supremo Tribunal Federal

02 jun, 2026
Davi Alcolumbre | Reprodução/Carlos Moura/Agência Senado
Davi Alcolumbre | Reprodução/Carlos Moura/Agência Senado

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), afirmou nesta terça-feira (2), durante sessão do Congresso Nacional, que a eventual criação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) para investigar o Banco Master serviria para “fazer palanque eleitoral”. A declaração foi dada após parlamentares da base governista e da oposição cobrarem a leitura do requerimento de instalação da comissão. Segundo o senador, órgãos como a Polícia Federal, o Ministério Público Federal e a Justiça já apuram as suspeitas envolvendo a instituição financeira.

Senador se negou a fazer leitura de requerimento

Pela segunda vez neste ano, Alcolumbre optou por não realizar a leitura do requerimento que pede a criação da CPMI do Banco Master. Durante a sessão do Congresso do dia 21 de maio, parlamentares de diferentes partidos insistiram para que o presidente da Casa desse andamento ao pedido. Apesar da pressão, o senador manteve sua posição e ressaltou que a decisão sobre quando levar o texto à leitura cabe exclusivamente à presidência do Congresso Nacional. “Requerimentos de leituras de matérias devem ser objeto de despacho da presidência. Portanto, o momento da leitura é um ato discricionário [uma escolha] da presidência da mesa do Congresso Nacional”, disse o parlamentar.

Alcolumbre também rebateu as críticas recebidas durante a sessão e afirmou que o foco do encontro deveria ser a análise de vetos presidenciais com impacto direto nos municípios brasileiros. Segundo ele, a insistência em torno da CPMI acabou desviando a atenção de pautas consideradas prioritárias e transformou o debate em uma disputa de caráter eleitoral.


Alcolumbre explica a não criação da CPMI do Master (Vídeo: reprodução/YouTube/@opovo)


“A Polícia Federal, o Ministério Público Federal, a Justiça brasileira, está todo mundo investigando isso. Não sei quem é o culpado. Se é o Banco Central do Brasil, se são as pessoas que fizeram errado, se é a Comissão de Valores Mobiliários, mas está todo mundo investigando isso. Querem abrir mais uma CPMI para fazer palanque eleitoral”, afirmou o parlamentar.

Caso Banco Master já motivou cinco pedidos de investigação no Congresso

O caso envolvendo o Banco Master já motivou a apresentação de diversos pedidos de investigação no Legislativo. Atualmente, tramitam cinco requerimentos relacionados ao tema, incluindo propostas de CPI na Câmara dos Deputados, no Senado Federal e uma comissão mista formada por integrantes das duas Casas. A multiplicidade de pedidos reflete o interesse de diferentes grupos políticos em aprofundar as apurações sobre as suspeitas que cercam a instituição financeira.

Para que uma CPI ou CPMI possa ser criada, é necessário reunir o apoio de pelo menos um terço dos parlamentares da respectiva Casa — ou de um terço dos deputados e um terço dos senadores, no caso da comissão mista —, além de apresentar um fato determinado a ser investigado e um prazo para os trabalhos. Após o cumprimento dessas exigências, o requerimento ainda precisa ser lido em sessão do Congresso, etapa que tem travado o avanço da CPMI do Banco Master diante da resistência de Davi Alcolumbre em realizar a leitura do pedido.

Além das iniciativas dentro do Congresso, o assunto também chegou ao Supremo Tribunal Federal. Há solicitações para que a Corte determine a instalação da comissão, em uma estratégia semelhante à adotada durante a criação da CPI da Covid.

Enquanto o impasse sobre a CPMI permanece, o caso segue sendo acompanhado por diferentes órgãos de fiscalização e investigação. A disputa em torno da abertura da comissão evidencia as divergências entre os parlamentares sobre a melhor forma de conduzir o caso e indica que o tema deve continuar gerando embates políticos nos próximos meses.

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