Autoridades brasileiras recebem alerta sobre nova estrutura do narcotráfico

Drogas em pasta-base ou adulteradas saem do Brasil com destino a Europa e viram um fenômeno; Nova forma do mercado de cocaína é investigada

11 out, 2026
Operação contra o narcotráfico | Reprodução/ Agência Brasil/@ PF/Divulgação

Alteração da dinâmica do narcotráfico internacional gerou um alerta para autoridades brasileiras. No novo padrão, organizações como o Primeiro Comando da Capital (PCC) têm enviado ao continente a droga em pasta-base ou ocultada quimicamente em materiais para exportação. Agentes nacionais e internacionais estão atentos a essas estruturas.

Novas técnicas são utilizadas no tráfico de drogas

Segundo informações da Agência da União Europeia sobre Drogas (EUDA), as pasta-base destinadas à Europa atingiram 700 quilos por operação. Holanda, Bélgica, Espanha e Portugal não ficam atrás quando se trata da temática; esses lugares possuem grande parte dos laboratórios para refino da cocaína, e os portos de Antuérpia, na Bélgica, e Roterdã, na Holanda, permanecem sendo as principais portas de entrada para as drogas.

O analista científico da Agência da União Europeia sobre Drogas, Laurent Laniel, disse que atividades como os traficantes enviarem pasta-base ou a droga misturada quimicamente a materiais como plásticos e resinas para que a extração seja feita já em território europeu já estão consolidadas. “É mais do que um sinal de alerta; nós já sabemos que isto está a acontecer. É um dos métodos utilizados para traficar cocaína. Eles (traficantes) enviam químicos, como chamamos pessoas que sabem como extrair a cocaína do material de transporte para a Europa. Esses químicos, na maioria dos que foram apanhados em vários países da Europa, são colombianos, não são brasileiros. Mas não quer dizer que o dono da cocaína não seja um brasileiro”, afirma Laniel.

Tráfico internacional de cocaína financia o PCC

Por meio dessas investigações, novos usos de técnicas de adulteração ou ocultação química têm sido identificados pela Polícia Federal. Diversos casos evidenciam essa nova forma de organização. Por exemplo, em Portugal, na operação Pacoba, os agentes investigaram um laboratório usado para extração, refino e empacotamento de cocaína. A operação resultou em sete pessoas presas, além de apreenderem 1,5 tonelada da cocaína, bem como produtos químicos. Outro caso recente ocorreu em São Paulo, em que frascos de shampoo em uma carga brasileira com destino à Europa continham cocaína.


Operação rastreia carga com cocaína (Foto: reprodução/Youtube/@g1globo)


Segundo o Ministério Público de São Paulo, o PCC se consolida como tendo como sua principal fonte de financiamento o tráfico internacional de cocaína para a Europa, e as principais vias de exportação da cocaína são as vias marítimas. Esses movimentos transformam o Brasil como tendo um papel central nesse mercado.

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