Alexandre de Moraes defende contrato de R$ 131 milhões com Banco Master como legítimo
Ministro rebate alegações da PF sobre segundo contrato e sustenta que escritório de sua esposa agiu dentro da lei; Corte vai decidir se abre investigação
Alexandre de Moraes encaminhou defesa ao presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, argumentando que o contrato entre o escritório Barci de Moraes e o Banco Master é legalmente válido. O documento, com 44 páginas, será apreciado em sessão extraordinária da Corte.
O ministro refuta em sua apresentação a existência de um segundo contrato de R$ 50 milhões, alegadamente pago via transferência de cotas de aeronaves, segundo investigação da Polícia Federal. A defesa aponta que o relatório da PF faz “com ilações absolutamente falsas, o relatório indica a existência de uma segunda contratação, que jamais existiu”.
A defesa da família
Moraes ressalta que sua esposa, Viviane Barci, e seus dois filhos exercem advocacia de forma legal e ética. Conforme o ministro expôs: “Minha mulher e meus dois filhos são advogados e têm direito, como todos os demais advogados, a exercer a profissão, e a exercem sempre com respeito à legislação e à ética”.
O escritório realiza trabalhos para diversos clientes. No caso do Banco Master, o setor de compliance da banca Barci de Moraes solicitou ao ministro esclarecimentos sobre possíveis impedimentos legais antes de aceitar o contrato. À época, segundo Moraes, não havia investigação criminal aberta contra a instituição.
Alexandre de Moraes defende contrato de R$ 131 milhões com Banco Master como legítimo (Vídeo: reprodução/YouTube/Metrópoles)
Negação de envolvimento em julgamentos
Moraes nega ter julgado qualquer questão ligada ao Banco Master ou a Daniel Vorcaro, seu principal executivo. De acordo com o ministro: “Jamais julgou qualquer processo do Banco Master ou de Daniel Vorcaro, antes, durante ou depois do contrato”.
A Polícia Federal registrou 52 mensagens que Vorcaro encaminhou a Moraes nas semanas anteriores à primeira detenção do banqueiro e antes da liquidação do Banco Master. Conforme a corporação, as mensagens indicam que Vorcaro buscava orientação e apoio do ministro para revogar as medidas tomadas contra si.
“Inexistiu segundo contrato ou qualquer outro vínculo do escritório Barci de Moraes com o banco Master, Daniel Vorcaro ou qualquer das empresas ligadas a eles”
O Supremo Tribunal Federal decidirá agora se instaura investigação contra Moraes a partir do relatório da Polícia Federal e das mensagens trocadas entre o ministro e Vorcaro. A análise dos ministros da Corte levará em conta a defesa que acaba de ser apresentada.
