ANP estuda mudanças no etanol para impedir uso na fabricação ilegal de bebidas

A substância já é utilizada para evitar o consumo em acidente de produtos de limpeza, mas ainda não há estudos sobre o uso em veículos

09 set, 2026
Carro sendo abastecido em posto de gasolina. | Reprodução/Unsplash/Engin Akyurt
Carro sendo abastecido em posto de gasolina. | Reprodução/Unsplash/Engin Akyurt

A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) avalia mudar a composição do etanol vendido como combustível para dificultar que o produto seja usado para a fabricação ilegal de bebidas alcoólicas. As possibilidades incluem a utilização de uma substância de sabor amargo na composição, para identificação por meio do sabor. A utilização de um corante verde na composição também é estudada, e deve funcionar como alternativa provisória a partir de 2027.

Novas medidas

A proposta surgiu após os casos de intoxicação e mortes provocados por bebidas com metanol em 2025. O objetivo é tornar o etanol usado em veículos mais fácil de identificar e impedir que ele seja usado para a produção clandestina de bebidas. A medida prevê a utilização obrigatória, por parte das usinas, de benzoato de denatônio, composto conhecido pelo sabor amargo que seria de fácil identificação pelos consumidores.

Apesar disso, a mudança ainda não tem data definida, pois é necessária a realização de testes antes da implementação. Atualmente, o benzoato de denatônio já é usado em produtos de higiene e limpeza justamente para evitar o consumo acidental, porém não há estudos sobre sua utilização no etanol.


Mais informações da ANP sobre etanol e outros combustíveis. (Foto: reprodução/Instagram/@anpgovbr.periodoeleitoral)


Enquanto os testes relacionados ao benzoato de denatônio não são concluídos, a ANP trabalha com uma alternativa temporária, que trata-se de acrescentar corante verde ao etanol antes da distribuiçã o do produto. A expectativa é que a nova regra tenha um período de adaptação e entre em vigor em 2027.

Avaliação das propostas

De acordo com a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), é necessária uma etapa de avaliações antes da utilização dessas novas substâncias no combustível. Ela afirma que a falta de um histórico do benzoato de denatônio no etanol automotivo impede uma avaliação certa sobre o possível efeitos nos motores.

Todo o trabalho da ANP envolvendo essas mudanças foi desenvolvido a partir do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) e de uma recomendação do Tribunal de Contas da União (TCU). Durante a análise, a agência consultou diferentes setores, incluindo produtores de etanol, distribuidoras de combustíveis, fabricantes de corantes e empresas responsáveis pela inspeção de qualidade. A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores e a Câmara Setorial da Cachaça do Ministério da Agricultura também participaram das discussões.

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