Anvisa emite alerta para risco de pancreatite aguda associada a canetas emagrecedoras

Reação adversa do uso abusivo de medicamentos e sem acompanhamento médico é ligada a seis mortes por pancreatite registradas no Brasil

09 fev, 2026
Seringa | Reprodução/Unsplash/@tengyart
Seringa | Reprodução/Unsplash/@tengyart

Nesta segunda-feira (09), a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) emitiu um alerta de farmacovigilância sobre o uso sem acompanhamento médico de medicamentos agonistas do receptor GLP-1, isto é, remédios que reduzem os níveis de açúcar no sangue e promovem a perda de peso. Segundo a Agência, existem suspeitas de ligação entre o uso indevido das “canetas emagrecedoras” e o aumento das notificações de pancreatite, que somam 6 mortes até o momento.

Qual a relação entre as mortes e a medicação?

Segundo a Anvisa, as mortes por pancreatite registradas têm associação com as substâncias semaglutida, liraglutida, tirzepatida e dulaglutida, que estão presentes em todas as canetas registradas no Brasil, como Ozempic, Saxenda e Mounjaro. Além dos 6 casos de morte, outros 200 registros de problemas pancreáticos estão sendo analisados pela Agência.

Atualmente, o uso da maioria das canetas só é permitido para o tratamento de obesidade e diabetes, com exceção das que utilizam a semaglutida, presente no Ozempic, para redução de risco de problemas cardiovasculares e Mounjaro, para apneia. No entanto, o documento publicado pela Anvisa avisa que, quando utilizados para emagrecimento rápido e outros fins estéticos, os riscos de doenças são maiores.

Segundo o painel VigiMed disponibilizado para a Agência, as mortes registradas no Brasil têm dois casos suspeitos de mortes por pancreatite associadas ao uso de Ozempic, 3 casos associados ao Saxenda e 1 ao Mounjaro. De acordo com Alexandre Hohl, diretor da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica (Abeso), existem mortes que não são contabilizadas, pois alguns medicamentos vêm de procedência duvidosa e podem ser falsificados, e não entram nas estatísticas.


Alexandre Hohl explica uso das canetas para CNN (Vídeo: reprodução/YouTube/@


A Anvisa alerta que, apesar de os riscos de problemas no pâncreas constarem na bula como reação adversa, é preciso o acompanhamento médico. Isso porque o tratamento precisa ser interrompido imediatamente em caso de suspeita de pancreatite e não pode ser retomado caso o diagnóstico seja confirmado.

O Brasil não foi o primeiro país a registrar relação entre as doenças e os medicamentos: no Reino Unido, 19 mortes foram associadas ao uso das canetas. Segundo a Agência Reguladora de Medicamentos e Produtos de Saúde (MHRA) do país, apesar de os casos serem raros, são graves, envolvendo necrose do órgão.

Os registros podem levar meses ou anos para terem sua relação com as canetas confirmadas, mas os especialistas já afirmam que seu uso deve vir acompanhado de muitos cuidados e conscientização. “Esses remédios são importantes e salvam vidas, mas eles podem se tornar perigosos se usados por pessoas sem indicação ou de fontes duvidosas”, comenta Alexandre.

O que é pancreatite?

A pancreatite é uma inflamação do pâncreas, uma glândula atrás do estômago que produz enzimas digestivas (amilase, lipase e tripsina) e insulina. A doença pode ser aguda, causada pela pedra na vesícula, ou crônica, que permanece no corpo em ciclos repetidos de inflamação.

Quando o processo inflamatório acontece, as enzimas digestivas podem passar a “agredir” o próprio órgão e podem se espalhar, provocando falência de outros órgãos. Esse quadro pode decorrer do abuso de álcool ou hereditariedade, já que os estudos sobre as substâncias presentes nas canetas continuam em andamento.

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