Apreensão de arma eleva tensão sobre prisão domiciliar de Bolsonaro

Defesa alega que segurança transportava armamento defeituoso; a oposição aponta “perseguição” enquanto vice-líder pede revogação da prisão domiciliar

18 jun, 2026
Jair Bolsonaro │ Reprodução/Instagram/@redegnioficial
Jair Bolsonaro │ Reprodução/Instagram/@redegnioficial

O cenário jurídico de Jair Bolsonaro sofreu um novo revés após a Polícia Militar do Distrito Federal apreender, durante uma blitz, uma pistola Glock G17, calibre 9mm, registrada em seu nome. O episódio acendeu o sinal de alerta entre aliados que temem que o fato motive o Supremo Tribunal Federal (STF) a revogar a prisão domiciliar do político.

Atualmente, o ex-mandatário cumpre prisão domiciliar humanitária em sua residência em Brasília devido a problemas de saúde. Condenado pelo STF a 27 anos de reclusão por tentativa de golpe de Estado, ele obteve o benefício médico temporário em 24 de março. No entanto, o prazo de 90 dias para que a Corte reavalie a manutenção dessa condição termina no próximo dia 25 de junho, o que torna o incidente com a arma ainda mais sensível para a estratégia de sua defesa.

Justificativa da defesa de Bolsonaro

Em resposta enviada ao ministro Alexandre de Moraes, a equipe jurídica de Bolsonaro confirmou que o armamento lhe pertence, mas alegou que a pistola estava sendo transportada por um segurança para manutenção devido a uma falha técnica.

Um ponto central do argumento envolve o quadro de saúde do ex-presidente. Os advogados informaram que a própria equipe de segurança havia decidido remover o percussor (peça essencial para o disparo) do equipamento. A medida preventiva teria sido tomada porque o político faz uso de medicamentos psiquiátricos que afetam sua cognição, e a retirada do componente visava evitar possíveis acidentes domésticos.

Reações políticas

O caso acirrou os ânimos no Congresso Nacional e dividiu opiniões. O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ), vice-líder do Governo na Câmara, acionou formalmente o ministro Alexandre de Moraes na última quarta-feira (17) para solicitar a revogação do benefício humanitário. O parlamentar argumenta que a apreensão justifica o retorno imediato do ex-presidente ao regime fechado.


Deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) pede a revogação da prisão domiciliar de Bolsonaro (Vídeo: reprodução/X/@lindberghfarias)


Já a cúpula de apoiadores de Bolsonaro intensificou as críticas ao STF, sustentando que o país vive um “Estado de exceção”. O líder da oposição na Câmara, Cabo Gilberto (PL-PB), classificou as ações da Corte como “perseguição”.

Apesar do receio de aliados de que “tudo pode acontecer” diante do novo fato, a defesa e os parlamentares mais próximos ao ex-mandatário insistem que a apreensão não constitui motivo jurídico suficiente para alterar o regime de cumprimento da pena. O desfecho da situação agora depende da análise do STF sobre se o incidente configura ou não uma violação das condições impostas para a permanência de Bolsonaro fora da prisão.

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