Números na Argentina viram pauta de debate no Brasil
PIB do país e aumento de desemprego e pobreza chamam a atenção de candidatos para presidência no Brasil e são usados como argumento contra Flávio Bolsonaro
Durante o primeiro debate presidencial para o segundo turno das eleições do Brasil, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) questionou o candidato e adversário, Flávio Bolsonaro (PL), se ele pretendia se basear na política argentina para governar a república. O assunto virou pauta depois que Daniella Marques, coordenadora econômica da campanha de Flávio Bolsonaro, apontou o governo de Javier Milei como base para novas medidas de redução de impostos e burocracia. Pesquisas apuradas revelam que a situação da Argentina é um pouco mais complicada do que se imagina: enquanto sua economia voltou a crescer e a inflação desacelerou, a pobreza e o desemprego aumentaram notoriamente.
Números que crescem na Argentina
As atividades de exportação no país tiveram um visível avanço, porém o mercado interno argentino vem enfrentando dificuldades, conforme dizem os números.
O PIB (Produto Interno Bruto) cresceu 2,3% no primeiro trimestre de 2026 em comparação com o mesmo período do ano anterior. Durante o segundo trimestre, a alta foi de 2%, usando a mesma base para comparação, de acordo com o Instituto Nacional de Estatística e Censos (Indec).
Mesmo com os resultados positivos, ainda existe a perda de ritmo. Em julho deste ano, o PIB já caiu 0,6% em relação aos 3 primeiros meses do ano, mesmo com os efeitos sazonais sendo descontados.
Enquanto isso, a exportação de bens e serviços aumentou em 13,7% e as importações diminuíram em 8,6%. Já a indústria de manufatura recuou em 2,1%.
Presidente da Argentina Javier Milei (foto: reprodução/getty images embed/TIMOTHY A. CLARY)
Inflação, pobreza e seus números opostos
Desde 2025, a inflação da Argentina atingiu os menores números em agosto de 2026, com uma desaceleração de 1,6%, que foi inicialmente acompanhada por uma queda na pobreza, que no ano de 2024 chegou a 52,9%. Neste ano a melhora perdeu sua força. No segundo semestre de 2025, a pobreza chegou a 28%, porém atingiu os 32% durante o primeiro semestre de 2026.
Cerca de 9,7 milhões de pessoas que vivem na pobreza se acomodam nos 31 aglomerados argentinos, de acordo com um levantamento realizado pelo Indec. Além disso, mais de 2,2 milhões, o equivalente a 7,5% da população pesquisada, vivem na extrema pobreza, indicando um aumento de 1,2% de pessoas nessa situação.
