Cury propõe comissão para analisar anistia a Bolsonaro e reforma do STF

Em sabatina, candidato do Avante também defende reforma do STF com mandatos limitados, taxação severa de big techs e criação de força preventiva com 400 mil agentes

28 ago, 2026
Augusto Cury | Reprodução/Instagram/@augustocury
Augusto Cury | Reprodução/Instagram/@augustocury

Durante sabatina realizada por O Globo, CBN e Valor na sexta-feira, o candidato presidencial Augusto Cury, do Avante, apresentou plano para constituir um painel internacional de juristas destinado a revisar processos relacionados aos eventos de 8 de janeiro, caso vença as eleições. O grupo analisaria possíveis falhas processuais, questões sobre a tentativa de golpe e desproporção nas sentenças.

“Vou convidar um grupo de juristas notáveis do Brasil e de fora para ver se teve vício nos processos, se teve ou não tentativa de golpe e se houve penas desproporcionais”, declarou Cury. Em seguida, ressalvou: “Não me coloque no centro dessa guerra política, senão vamos de novo alimentar essa polarização esquizofrênica”.

Ao ser pressionado sobre sua avaliação pessoal das condenações, Cury afirmou que várias delas lhe parecem despropositais. “Na minha opinião, houve várias condenações desproporcionais, inclusive a da ‘Débora do Batom'”, completou.

Reforma Estrutural do Supremo

Cury sustenta ser o único candidato com proposta de reforma profunda do Supremo Tribunal Federal. Sua sugestão passa pelo fim da vitaliciedade dos ministros, substituindo-a por mandatos de oito anos sem possibilidade de recondução. Após deixar o tribunal, os juízes não poderiam retornar à instituição.

Para a seleção de novos magistrados, o candidato propõe ampliar a participação de entidades como Ajufe (Associação de Juízes Federais), AMB (Associação dos Magistrados Brasileiros) e OAB (Ordem dos Advogados do Brasil). Cury também defende responsabilizar ministros através de impeachment quando cometerem erros nas decisões.

Tributos e Tecnologia

No campo econômico, Cury advoga por tributação pesada das grandes empresas de tecnologia, comparável à incidência fiscal sobre produtos nocivos à saúde, como o cigarro. A proposta abrange também plataformas de apostas online.

Quanto ao posicionamento ideológico, Cury evitou rótulos. Disse possuir “mente capitalista” mas “coração social”, recusando-se a se enquadrar em qualquer extremo do espectro político.

Modelo de Governo

Cury se posiciona contra a reeleição e favorável à adoção de parlamentarismo ou semipresidencialismo. Segundo ele, a estrutura atual já funciona como parlamentarismo, mas sem formalização legal.

“Tem que ter um primeiro-ministro chancelado pelo Congresso, que hoje já tem muito peso. Vivemos um parlamentarismo de fato. É um parlamentarismo de fato, mas não de direito”, explicou o candidato.

Em sua proposta administrativa, o governo funcionaria com apenas oito ministérios, com reforço nas secretarias executivas para distribuir funções e evitar concentração de poder.


 

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Augusto Cury fala a educação na sua campanha (Vídeo: reprodução/Instagram/@augustocury)


Segurança e Prevenção

Para o setor de segurança pública, Cury propõe criar uma corporação batizada de “Foco”, focada em trabalho preventivo. A instituição teria 400 mil profissionais, equivalentes a 5% da força laboral dos municípios brasileiros.

O candidato defende integração entre polícias do país mediante tecnologias como reconhecimento facial, análise de DNA e sistema integrado de informações. Ele se opõe ao armamento da população, com possível exceção em regiões de grande vulnerabilidade, como áreas rurais de risco. Apoia também câmeras acopladas em uniformes policiais como proteção aos profissionais honestos.

Cury manifestou apoio à PEC da Segurança, iniciativa em votação no Senado pelo governo Lula.

A série de entrevistas também contou com Romeu Zema (Novo), Ronaldo Caiado (PSD) e Renan Santos (Missão). O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) receberam convites, mas não confirmaram presença.

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