Banco Master: PF detalha produção de documentos usados em créditos ao BRB
Documentos apreendidos revelam detalhes da atuação de funcionários do Banco Master na produção de arquivos ligados a créditos vendidos ao BRB
Banco Master é citado em documentos da Polícia Federal que detalham a produção e a alteração de arquivos usados para comprovar créditos vendidos ao Banco de Brasília (BRB). O material foi apreendido durante a Operação Compliance Zero e tornou-se público após o levantamento do sigilo de parte das investigações.
A apresentação interna do banco descreve a participação de diretores, gerentes e funcionários de áreas operacionais e de tecnologia na elaboração, assinatura e envio de documentos.
Como o Banco Master produzia os documentos
Segundo a PF, dados de clientes do CredCesta foram utilizados para gerar Cédulas de Crédito Bancário (CCBs), procurações e termos de consentimento.
PF investiga caso do Banco Master (Foto: reprodução/Gustavo Minas/Bloomberg/Getty Images Embed)
Um dos casos envolve o gerente Allan da Silva Machado, que teria usado uma planilha e a ferramenta de mala direta do Word para produzir 2.700 procurações. Os arquivos foram armazenados em uma pasta chamada “Demanda BRB-Tirreno 2700 amostras”.
Para os investigadores, parte desse material pode ter sido usada entre os documentos enviados ao BRB para comprovar 1.785 contratos atribuídos à Tirreno.
Comprovantes e datas sob suspeita
A Polícia também encontrou mensagens sobre alterações em comprovantes de transferência. Em uma delas, Allan pede documentos sem informações que permitissem identificar contratos e transações. Ao ouvir que seria difícil modificar os 2.700 comprovantes, ele responde: “Tem que dar um jeito”.
Outro conjunto de mensagens trata da retirada de datas de termos de consentimento. Em um documento analisado, a celebração aparecia como realizada em 21 de janeiro de 2025, enquanto a assinatura eletrônica ocorreu em 20 de junho. Para a PF, as alterações poderiam dificultar a identificação de quando os documentos foram efetivamente formalizados.
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Banco Master (Vídeo: reprodução/Instagram/@globonews/@rafaelcolomboteixeira)
Auditoria questionou documentos
As divergências também foram discutidas com a Deloitte, responsável pela auditoria das carteiras. Segundo o relatório, o coordenador Fabrizio Pereira Alencar informou ao diretor Alberto Felix de Oliveira Neto que os auditores faziam cobranças sobre os contratos.
Em resposta, o diretor orientou que determinada divergência fosse atribuída a um “erro operacional na seleção”. Os contratos questionados estavam relacionados à carteira da Tirreno e ao período entre dezembro de 2024 e março de 2025.
PF analisa R$ 47,78 bilhões
A apresentação “Investigações internas – Master” foi localizada pela PF no acervo digital entregue pelo liquidante do banco. O documento reúne registros sobre funcionários, mensagens e procedimentos relacionados à documentação das operações.
Banco Master segue investigado (Foto: reprodução/Mauro PIMENTEL/AFP/Getty Images Embed)
A investigação analisa R$ 47,78 bilhões em operações entre o Master e o BRB. Desse total, R$ 31,74 bilhões correspondem a operações de venda de carteiras de crédito pelo Master ao banco público.
Segundo os investigadores, os episódios fazem parte da apuração sobre possíveis irregularidades no lastro das carteiras e sobre a produção ou alteração posterior de documentos utilizados para comprovar os créditos.
