Síria condena Assad à pena de morte em julgamento por crimes contra a humanidade

Tribunal sírio profere sentença nesta terça (11); ex-ditador e Maher fugiram para Rússia em dezembro; primo Atef Najib também recebe morte

11 ago, 2026
Bashar al-Assad | Reprodução/X/@republiqueBRA
Bashar al-Assad | Reprodução/X/@republiqueBRA

Nesta terça-feira (11), um tribunal sírio condenou à morte Bashar al-Assad, o ex-ditador que governou o país durante 24 anos, e seu irmão Maher por crimes contra a humanidade e crimes de guerra. Os dois não compareceram ao julgamento, tendo fugido para a Rússia em dezembro de 2024, logo após a queda de seu regime.

O primo materno Atef Najib também foi sentenciado à morte no mesmo processo. Diferentemente de Assad, o ex-general sírio permaneceu no país e foi julgado presencialmente. Durante o procedimento em um tribunal criminal de Damasco, Najib ficou confinado em uma jaula enquanto recebia a condenação, usando uniforme de presidiário.

Os crimes e a repressão

Atef Najib foi condenado por sua responsabilidade na repressão conduzida na província de Daraa, no sul da Síria. O processo marca a primeira sentença de morte proferida pelas autoridades que assumiram o poder após a queda do regime.

Durante os 14 anos de guerra civil que devastaram a Síria, aproximadamente 500 mil pessoas morreram, conforme dados do G1. O governo de Assad enfrentou acusações de cometer assassinatos, realizar prisões arbitrárias em massa e aplicar torturas sistemáticas.


Síria condena ex-ditador Bashar Al-Assad à morte (Vídeo: reprodução/X/@vista_patria)


Caminho para o poder e pedido de extradição

Em novembro e dezembro de 2024, uma ofensiva de grupos rebeldes derrubou rapidamente o regime. Ahmed al-Sharaa chegou à presidência liderando uma coalizão encabeçada pelo movimento armado Hayat Tahrir al-Sham (HTS).

Em outubro de 2025, al-Sharaa solicitou a extradição de Assad ao presidente russo Vladimir Putin. A petição ainda não avançou, e não há previsão de que Putin mude sua posição histórica de protetor do ex-ditador.

Até a última atualização, nem o governo sírio nem a Rússia se pronunciaram sobre a sentença. Assad também não emitiu declaração oficial a respeito da condenação à morte. Permanece incerto se as penas serão executadas ou se a rede de aliados conseguirá impedi-las.

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