Bolsonaro transforma Papudinha em centro de decisões eleitorais da oposição
Ex-presidente transformou prisão em quartel-general eleitoral; estratégia repete modelo usado por Lula em 2018 e movimenta a política nacional
O ex-presidente Jair Messias Bolsonaro transformou a Papudinha no centro político da oposição para 2026. À primeira vista, mesmo preso, ele centraliza decisões e recebe aliados quase diariamente. Assim, a cela substitui gabinetes e sedes partidárias como espaço de articulação eleitoral.
A movimentação de bastidores cresce a cada semana e a agenda fica cada vez mais disputada. Parlamentares de vários estados pedem autorização para visitas e reuniões estratégicas. Além disso, deputados do Rio, da Paraíba e um senador de Goiás já aguardam encontros.
Palanques definidos de dentro da prisão
As decisões relevantes já saem diretamente do presídio e moldam o cenário eleitoral. Antes da transferência, Bolsonaro definiu o filho Flávio Bolsonaro como nome para a disputa presidencial. Desse modo, a escolha encerrou debates internos no Partido Liberal (PL).
Tarcísio fala em planos eleitorais após visita a Bolsonaro na Papudinha (Vídeo: reprodução/YouTube/@CNN Brasil)
Na última quinta-feira (29), o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) reforçou apoio ao plano eleitoral bolsonarista e confirmou candidatura à reeleição em São Paulo, além de alinhar o discurso com o grupo. Portanto, o eixo São Paulo-Brasília permanece estratégico para a direita. Entretanto, o Judiciário impõe limites às articulações dentro da Papudinha. O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, tentou visita para tratar do Senado. Contudo, o ministro Alexandre de Moraes negou o pedido por impedimento processual entre os dois.
Nesse ínterim, a situação atual repete um roteiro já visto na política brasileira recente. Em 2018, Lula também conduziu decisões eleitorais a partir da prisão. Naquele momento, a cela virou núcleo de negociações do Partido dos Trabalhadores (PT). Eventualmente, foi dali que Lula escolheu Fernando Haddad como candidato ao Planalto. Logo, a oficialização ocorreu por carta lida por aliados e divulgada à imprensa. Assim, o precedente histórico fortalece a estratégia adotada por Bolsonaro.
Agenda de aliados passa pelo aval do ex-presidente
No início de janeiro, a defesa do ex-presidente protocolou novo pedido ao Supremo Tribunal Federal (STF). Nesse sentido, os advogados solicitaram inclusão no programa de remição de pena por leitura. Bolsonaro cumpre pena de 27 anos por diversos crimes contra o Estado Democrático e entre eles estão golpe de Estado e organização criminosa armada. Mesmo assim, a influência política dele permanece ativa nos bastidores. A iniciativa busca reduzir o tempo de cumprimento da condenação.
Frequentemente, aliados relatam que a lista de visitas cresce a cada decisão eleitoral e parlamentares de Minas, Rio Grande do Sul e Rio já procuraram o ministro relator. Todos buscam a “bênção” do ex-presidente para palanques regionais. Segundo informações de bastidores, o próprio Bolsonaro determinou a nova rotina política. Ele definiu que a Papudinha será o principal bunker da oposição. Dessa forma, concentra articulações e orienta estratégias para 2026.
