Brasil envia novas equipes de ajuda humanitária à Venezuela

Governo brasileiro envia novas equipes humanitárias à Venezuela após terremoto abalar o país; promessa do futebol venezuelano se encontra entre as vítimas

28 jun, 2026
Força Aérea Brasileira | Reprodução/ Agência Brasil/@GOV BR/FAB
Força Aérea Brasileira | Reprodução/ Agência Brasil/@GOV BR/FAB

O governo brasileiro confirmou o envio de um quarto voo de ajuda humanitária à Venezuela, previsto para decolar neste domingo (28), em resposta ao pedido internacional de auxílio realizado pelo governo venezuelano após a sequência de terremotos registrada desde a última quarta-feira (24). A nova missão partirá da Base Aérea de Guarulhos com 35 bombeiros militares dos estados de São Paulo e Minas Gerais, reforçando a operação brasileira de busca, resgate e atendimento às vítimas.

Desde o início da tragédia, o Brasil já encaminhou três aeronaves ao país vizinho. As primeiras equipes chegaram à Venezuela com militares especializados em salvamento, enquanto os voos seguintes transportaram hospitais de campanha, medicamentos, purificadores de água e profissionais da saúde. A mobilização integra uma força internacional criada para auxiliar as regiões mais afetadas pelos abalos sísmicos.

Equipes brasileiras já atuam nas áreas atingidas

As equipes brasileiras são coordenadas pelo diretor de Preparação e Socorro da Defesa Civil Nacional, Armin Braun, sob atuação conjunta da Agência Brasileira de Cooperação e do Ministério das Relações Exteriores. Segundo o governo, os trabalhos começaram imediatamente após a chegada ao município de Vargas, no estado de La Guaira, região considerada o principal epicentro dos danos provocados pelos terremotos.

Até o momento, os bombeiros brasileiros participaram do resgate de duas pessoas encontradas com vida sob os escombros e seguem concentrando esforços para localizar uma criança desaparecida em um edifício que desabou durante os tremores. A expectativa é de que o novo contingente amplie a capacidade operacional das equipes que já atuam no país.

Os terremotos registraram magnitudes de 7,2 e 7,5 na escala Richter, intensidade considerada capaz de provocar danos estruturais severos, como o colapso de prédios, pontes e demais construções. Desde então, a Venezuela permanece em estado de emergência e mobiliza equipes nacionais e internacionais para atender às áreas afetadas.

Durante uma assembleia transmitida ao vivo pela televisão no último sábado (27), o presidente da Assembleia Nacional da Venezuela, Jorge Rodríguez, informou que já foram registradas mais de 430 réplicas desde os primeiros tremores. Segundo ele, mais de 3,1 mil famílias sofreram impactos diretos em consequência da tragédia.

Conforme os boletins mais recentes divulgados pelo governo venezuelano, menos de 1.400 mortes e 3.238 feridos já foram confirmados. Entretanto, os números seguem sendo atualizados à medida que novas áreas são alcançadas pelas equipes de resgate. Estimativas da Organização das Nações Unidas (ONU) apontam que cerca de 50 mil pessoas ainda possam estar desaparecidas.

Corrida contra o tempo mobiliza a comunidade internacional

As operações seguem em ritmo intenso diante da chamada “janela crítica” de resgate. Especialistas consideram as primeiras 72 horas após desastres naturais como o período de maior possibilidade de localização de sobreviventes soterrados, tornando cada minuto decisivo para as equipes espalhadas pelas regiões atingidas. Com o encerramento desse prazo na noite de sábado, cresce a preocupação em localizar novas vítimas com vida.

Embora o Brasil tenha sido um dos primeiros países a responder ao pedido de ajuda, o governo venezuelano informou que o número de profissionais enviados até agora ainda é insuficiente para atender à dimensão da tragédia. Por isso, novos pedidos de cooperação internacional continuam sendo encaminhados a diferentes países.

Além de decretar estado de emergência nacional, a Venezuela reforçou o apelo por apoio externo nas áreas de resgate, atendimento médico e assistência humanitária. A tragédia ocorreu em um momento de grande mobilização internacional por causa da Copa do Mundo de 2026, levando diversos países e organizações a manifestarem solidariedade às vítimas.

Milhares de torcedores venezuelanos que estavam fora do país para acompanhar o Mundial foram surpreendidos pelas notícias sobre a destruição causada pelos terremotos. Muitos passaram a acompanhar as atualizações em busca de informações sobre familiares e amigos, enquanto aguardavam novas listas de vítimas e desaparecidos divulgadas pelas autoridades.

Em homenagem às vítimas, a FIFA adotou um minuto de silêncio antes das partidas disputadas neste fim de semana. Mesmo sem a classificação da seleção venezuelana para o Mundial, a entidade reforçou sua solidariedade ao país e destacou a importância da união entre as nações diante de uma tragédia humanitária dessa proporção.


 

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Federação venezuelana de futebol presta homenagem ao jogador Yimvert Berroterán (Foto: reprodução/Instagram/@fvf_oficial)


Entre as vítimas identificadas está Yimvert Berroterán, promessa do futebol venezuelano de apenas 18 anos. O jovem atleta, que vinha se destacando no cenário esportivo nacional, foi encontrado sem vida entre os escombros de um edifício em La Guaira, tornando-se um dos símbolos das perdas provocadas pelos terremotos que atingiram o país.

 

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