Brasil prepara retaliação após EUA suspender visto de embaixadora

Brasil prepara retaliação aos EUA após corte de visto; em nota oficial, o Planalto diz haver motivação ideológica e tentativa de interferência eleitoral

05 ago, 2026
Maria Luiza Ribeiro Viotti, embaixadora brasileira nos EUA que teve visto cancelado | Reprodução/X/@eixopolitico
Maria Luiza Ribeiro Viotti, embaixadora brasileira nos EUA que teve visto cancelado | Reprodução/X/@eixopolitico

O governo brasileiro definirá nesta quarta-feira (5) o formato da reciprocidade diplomática contra os Estados Unidos. A reunião ocorre após o governo de Donald Trump revogar o visto de entrada da embaixadora brasileira Maria Luiza Ribeiro Viotti, alegando lentidão do Brasil em aceitar o novo embaixador norte-americano, Daniel Perez. O Planalto classifica as alegações americanas como “falsas” e de cunho ideológico, e alinha, junto à equipe de governo, os detalhes da retaliação.

O recurso à reciprocidade é a ferramenta jurídica padrão utilizada por países soberanos para responder a sanções externas na mesma moeda. No direito internacional, essa conduta visa preservar o respeito mútuo nas fronteiras, estabelecendo uma barreira de defesa contra penalizações arbitrárias.

Revogação do visto da embaixadora

Apesar da decisão, o gesto do governo americano não traz consequências imediatas para a rotina da embaixadora. Trata-se da suspensão de um visto de entrada, o que significa que Maria Luiza Ribeiro Viotti tem autorização para permanecer nos Estados Unidos e seguir chefiando a representação brasileira em Washington. No entanto, caso a diplomata deixe o território americano por qualquer motivo, ela ficará impedida de retornar ao país.


Visto da embaixadora brasleira nos EUA é cancelado (Vídeo: reprodução/X/@GloboNews)


O anúncio da revogação do visto foi feito na última terça-feira (4/8) pelo Departamento de Estado dos EUA, e o motivo, segundo eles, é a demora do governo Lula em aprovar as credenciais de Daniel Perez, indicado para assumir a embaixada americana em Brasília.

Planalto aponta interesse de interferir nas eleições

Ainda na noite de terça-feira (4) o governo brasileiro emitiu uma nota de repúdio na qual classificou como “falsas” as justificativas apresentadas por Washington. De acordo com o comunicado a suspensão do visto da embaixadora Viotti não é um fato isolado, mas sim parte de uma “escalada deliberada de medidas hostis” por motivações ideológicas. O Itamaraty argumentou ainda que o Brasil cumpre o direito internacional e que a Convenção de Viena não estabelece prazos para a concessão do aval a diplomatas indicados.


 

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Nota do governo brasileiro (Foto: reprodução/Instagram/@casacivilbr)


A nota conclui acusando o governo Trump de ter um “interesse descabido de interferir na próxima eleição para presidente” no Brasil. O Planalto defendeu que os vistos negados anteriormente a dois funcionários da Casa Branca foram barrados de forma legítima, pois eles planejavam vir ao país com o intuito de lançar dúvidas sobre a integridade do sistema eleitoral brasileiro.

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