Carnaval do Rio: Imperatriz Leopoldinense e Mangueira são destaques no primeiro dia

Acadêmicos de Niterói e Portela também cruzam a avenida neste domingo de carnaval, mais quatro escolas desfilam na noite desta segunda-feira

16 fev, 2026
Carnaval 2026 | Foto: Reprodução/X/@sputnik_brasil
Carnaval 2026 | Foto: Reprodução/X/@sputnik_brasil

Na abertura do Carnaval do Rio, neste domingo (15), 4 escolas abriram o desfile na Marquês de Sapucaí do Grupo Especial, Acadêmicos de Niterói, Imperatriz Leopoldinense, Portela e Estação Primeira de Mangueira. Durante a noite de domingo e a madrugada de segunda-feira (16), as escolas cruzaram a avenida trazendo enredos que destacavam momentos históricos do Brasil, e celebravam a cultura afro-brasileira.

Acadêmicos de Niterói

A Acadêmicos de Niterói foi a primeira a desfilar na noite, a escola fundada em 2018 fazia sua estreia no Grupo Especial e trouxe o enredo “Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”, que homenageia o presidente Lula (PT). Dias antes do carnaval, a escola foi alvo de cerca de dez ações na justiça e no Tribunal de Contas da União (TCU) de partidos parlamentares da oposição que alegavam que o enredo seria uma propaganda eleitoral antecipada para Lula, uma liminar chegou a pedir a proibição do desfile, porém, o Tribunal Superior Eleitoral negou.

Na Sapucaí, a escola contou a história de Luiz Inácio Lula da Silva, desde a sua saída do nordeste na infância até a Presidência da República, e lembrando momentos que marcaram a trajetória do atual presidente do Brasil, como a migração de sua família para São Paulo, seu trabalho como torneiro mecânico e a liderança sindical. A comissão de frente trouxe para a Sapucaí uma representação da rampa do Palácio do Planalto, que fazia menção a última posse de Lula, atores e bailarinos representavam os ex-presidentes Dilma Rousseff, Michel Temer e Jair Bolsonaro.

O carro Abre-Alas trouxe uma bela referência ao local onde Lula nasceu, o agreste pernambucano. Em um dos carros, a escola veio ao sambódromo fazendo uma crítica às políticas sociais da época do governo de Jair Bolsonaro e à forma como o ex-presidente lidou com a pandemia de Covid-19. Na parte traseira da alegoria, o carnavalesco ainda trouxe uma representação da prisão de Bolsonaro.


Acadêmicos de Niterói, em seu desfile na Sapucaí (Vídeo: Reprodução/Instagram/@riocarnaval e @academicosdeniteroi)


Imperatriz Leopoldinense

A segunda escola a desfilar na noite foi a Imperatriz, a escola de Ramos, na Zona Norte do Rio de Janeiro, trouxe para a avenida o enredo “Camaleônico”, uma homenagem ao cantor Ney Matrogrosso, que estava em um dos carros alegóricos que cruzaram a Marquês de Sapucaí. O cantor foi ovacionado pelos ritmistas da escola na concentração antes do desfile, ele disse estar feliz com o desfile e com a fantasia: “Isso aqui é um palco 10 mil vezes maior”.

A Imperatriz trouxe para o Sambódromo um gigante lobisomem, de 20 metros de altura, que era inspirado na música “O Vira”, um dos sucessos do cantor nos anos 70. a escultura foi feita com cerca de 300 quilos de uma fibra extraída de um sisal que foi cultivado na Bahia. Toda a estrutura, que pesava cerca de 4 toneladas, era articulada e foi controlada por 13 pessoas durante o desfile.

Truques de ilusionismo, penas e cores vibrantes enfeitavam os carros e alas da escola representando as fases da carreira do cantor e seus destintos figurinos. A bateria da escola se inspirou na estética sensual e provocadora do disco “Pecado”, de 77. Logo à frente da bateria, a cantora Iza também desfilava com um figurino vermelho, que representava uma serpente que contava com um adereço que soltava fumaça pela cabeça.


Ney Matogrosso, homenageado da Imperatriz (Vídeo: Reprodução/Instagram/@riocarnaval e @imperatrizleopoldinenseoficial)


Portela

A Portela, a terceira escola a desfilar, entrou na avenida já na madrugada desta segunda-feira (16), a escola de Oswaldo Cruz e Madureira trouxe para a Marquês de Sapucaí o enredo “O Mistério do Príncipe do Bará – A oração do negrinho e a ressurreição de sua coroa sob o céu aberto do Rio Grande”. O desfile foi uma referência a cultura afro-gaúcha e homenageou o Príncipe Custódio, que é uma figura importante e histórica para os seguidores das religiões de matriz africana no Rio Grande do Sul, que é o estado com o maior número de adeptos do candomblé e umbanda do Brasil.

O principal destaque da escola na avenida veio logo na comissão de frente, esta que representava os orixás, com foco em exu bará, inovou na Sapucaí ao trazer um de seus integrantes em pé encima de um drone. O tripé de apoio da alegoria ao se abrir, deu lugar ao integrante que decolou com o drone iluminado e “desfilou” pelos ares da Marquês de Sapucaí. Na narrativa, era a redenção do Negrinho do Pastoreio, que após uma vida de provações se torna o príncipe herdeiro da coroa de Bará.

Para aqueles que estiveram nas frisas e camarotes mais próximos da avenida foi possível inclusive sentir a potência que as hélices do equipamento possuía. O público enalteceu bastante a inovação da escola que entrou na Sapucaí em busca de aumentar a vantagem na disputa de títulos, onde a Portela é a maior campeã, com um total de 22.


Portela, terceira escola a desfilar na primeira noite do carnaval carioca (Vídeo: Reprodução/Instagram/@riocarnaval e @oficialportela)


Estação Primeira de Mangueira

A última escola da primeira noite de desfiles foi a Mangueira, que trazia o enredo “Mestre Sacaca do Encanto Tucuju – O Guardião da Amazônia Negra”. Mestre Sacaca foi Xamã Babalaô do povo tucuju, no Amapá, foi o guardião dos segredos da Amazônia Negra, e completaria 100 anos em 2026. ele era conhecido como “Doutor da floresta” por seu conhecimento de ervas, raízes e seivas amazônicas e o uso delas no tratamento de doenças e no cuidado comunitário.

Durante o desfile foi possível notar as referências apresentadas pela escola, como as onças que brilhavam no escuro e vieram representadas logo na comissão de frente, uma forma de demonstrar os povos ancestrais, e em um ritual de saudação à natureza, eles invocam  o xamã Babalaô, que se manifesta em sua forma encantada, o Mestre Sacaca. A escola ainda trouxe uma gigante escultura do mestre, que foi um dos destaques da apresentação.

Apesar do grande desfile, a escola passou por alguns problemas antes de deixar a avenida, um de seus carros alegóricos bateu na base do monumento da Praça da Apoteose, e como maneira para desprender o veículo, os integrantes da escola começaram a desmontar a alegoria para tirá-la do lugar e não atrasar a dispersão dos carros e demais componentes da escola verde e rosa.


Estação Primeira de Mangueira encerra a primeira noite de desfiles (Vídeo: Reprodução/Instagram/@riocarnaval e @mangueira_oficial)


Em um domingo de carnaval mágico, trazendo desde a experiência das duas maiores campeãs do Carnaval do Rio, Portela e Mangueira, a tradicional Imperatriz Leopoldinense e a estreante do Grupo Especial, Acadêmicos de Niterói, onde todas as escolas vieram muito bem preparadas para o desfile, e apesar das dificuldades enfrentadas por todas, nenhuma estourou o tempo de até 80 minutos para cruzar a avenida, agora resta ao admirador do carnaval carioca aguardar os desfiles restantes para saber quem será a escola campeã de 2026.

Nesta segunda-feira, passarão pela avenida a Mocidade Independente de Padre Miguel, a Beija-Flor de Nilópolis, a Unidos do Viradouro e a Unidos da Tijuca.

Já na terça-feira (17) veremos a Paraíso do Tuiuti, a Unidos de Vila Isabel, a Acadêmicos do Grande Rio e fechando os desfiles, teremos a Acadêmicos do Salgueiro. A apuração acontecerá na quarta-feira de cinzas (18) e o desfile das campeãs acontece no sábado (21).

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