Brasil registra 830 mil celulares roubados ou furtados em 2025, queda de 7,7%

Média de 95 aparelhos por hora. São Luís lidera ranking; São Paulo concentra 20% de todos os casos

23 jul, 2026
Celulares | reprodução/Unplash/Andrey Matveev
Celulares | reprodução/Unplash/Andrey Matveev

O Brasil registrou 830.890 celulares roubados ou furtados em 2025, uma média de 95 aparelhos por hora, segundo o 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública divulgado nesta quinta-feira (23). O total representa queda de 7,7% em relação a 2024, quando foram registradas 855.113 ocorrências. São Luís (MA), Belém (PA) e São Paulo (SP) lideram o ranking nacional de cidades mais afetadas.

A redução continua a trajetória dos últimos anos. Comparado a 2019, quando o Brasil atingiu o pico histórico de 1.053.433 registros, o número de 2025 representa queda de 25%. Os dados refletem um período de transição: enquanto roubos caem significativamente, furtos crescem de forma leve.

Cidades mais afetadas

São Luís assume a primeira posição no ranking nacional de cidades com maior incidência de roubos e furtos de celulares. Belém vem em segundo, seguida por São Paulo. Entre as cidades com maiores taxas, 14 são capitais estaduais. O Nordeste concentra 8 delas, o Norte, 6, e o Sudeste, também 6.

O destaque fica com São Paulo. Embora seja responsável por apenas 5,6% da população brasileira, a capital paulista responde por 20% de todos os roubos e furtos de celulares do país. O volume absoluto coloca a cidade entre as maiores vítimas do crime.

Dos 27 estados brasileiros, apenas dois apresentaram crescimento em 2025. Rio de Janeiro registrou aumento de 22,7%, enquanto Paraíba cresceu 21,1%. Todos os demais estados seguem a tendência de redução.

Furtos crescem; roubos caem

6 em cada 10 celulares foram furtados em 2025, totalizando 483.561 casos. Esse segmento cresceu 0,9% comparado a 2024. Na contramão, 4 em cada 10 foram roubados, somando 308.723 ocorrências e registrando queda de 18,6% no mesmo período.

A mudança de proporção reflete uma realidade cada vez mais clara: criminosos estão migrando de roubos para furtos. Roubo exige confronto direto com a vítima, uso de violência ou ameaça, e eleva o risco de prisão. Furto, por sua vez, costuma ocorrer sem confronto e com risco menor para quem o comete.

Em muitos casos, como em transportes públicos ou locais com grande circulação de pessoas, a vítima só percebe o crime depois que ele aconteceu. Nos furtos, celulares permanecem bloqueados, reduzindo o retorno financeiro à revenda de peças ou aparelhos inteiros. Em roubos bem-sucedidos, criminosos obrigam a vítima a desbloquear o aparelho e extraem senhas bancárias, ampliando o ganho.

Quando e onde acontecem os crimes

Furtos

Furtos ocorrem principalmente aos finais de semana. Sábados e domingos concentram 34,5% de todas as ocorrências. Nos dias úteis, o padrão se distribui com menos intensidade.

Quanto aos horários, furtos se concentram em dois períodos do dia. O primeiro vai das 10h às 12h, quando as ruas têm maior movimento. O segundo ocorre entre 17h e 20h, quando pessoas voltam do trabalho ou da escola e circulam em locais mais movimentados.

Roubos

Roubos seguem padrão completamente distinto. Eles acontecem predominantemente em dias úteis, quando 73,1% dos casos ocorrem. Sextas-feiras registram o pico semanal.

Os horários de roubo apresentam dois momentos críticos. O primeiro vai das 5h às 6h da manhã, período em que pessoas saem de casa para trabalhar. O segundo e principal se estende das 18h às 23h, com pico às 20h, quando há maior fluxo de pessoas retornando de atividades diárias.

Por que roubos migram para a noite

A mudança no padrão temporal de roubos reflete escolhas estratégicas de criminosos. Segundo análise do Anuário escrita por Samira Bueno e Renato Sérgio de Lima, há aumento da concentração de roubos no período noturno.

O relatório explica os motivos:

  • Maior facilidade para assaltantes fugirem à noite
  • Menor número de testemunhas no período noturno
  • Redução da visibilidade que dificulta identificação

“Como o roubo é um crime que exige interação entre o criminoso e a vítima, é de se supor que no período noturno seja mais simples para os assaltantes fugirem, e também que haja menos testemunhas”, diz o texto do Anuário.

Locais dos crimes

77,2% de todos os roubos acontecem em vias públicas. Ruas, avenidas e praças concentram a maioria dos casos, onde a fuga é mais viável.

Furtos se distribuem de forma mais dispersa. 49,3% ocorrem nas ruas, 15,2% em estabelecimentos comerciais e 6,1% em transportes públicos. A distribuição reflete a oportunidade: em qualquer espaço com circulação de pessoas, o furto é possível.

“Em muitos casos, como em transportes públicos ou locais com grande circulação de pessoas, a vítima só percebe o crime depois que ele aconteceu”, diz o relatório.


Avenida Paulista em São Paulo (Foto: reprodução/Getty Images Embed/Bloomberg)


Quem são as vítimas

O perfil de vítimas varia conforme o tipo de crime. Em roubos, homens representam 59,8% das vítimas. Em furtos, a distribuição é praticamente equilibrada: 50,3% dos casos atingem homens e 49,7%, mulheres.

A diferença revela uma realidade: roubos de celular tendem a visar pessoas de forma mais seletiva, enquanto furtos ocorrem por oportunidade, sem preferência de gênero.


Modelos de celulares (Foto: reprodução/Getty Images Embed/Bloomberg)


Por que criminosos preferem furtos

A migração de roubos para furtos pode ser explicada pelo menor risco que o furto representa para o criminoso. Enquanto roubo exige contato direto com a vítima e uso de violência ou ameaça, aumentando as chances de prisão em flagrante, furto costuma ocorrer sem confronto e sem deixar evidências de violência.

O custo-benefício mudou. Aumento do monitoramento por câmeras, maior atuação policial e mudanças de comportamento da população elevaram o custo de cometer roubos. Criminosos ajustaram a estratégia.

Fatores que reduziram roubos

Três elementos combinados explicam a queda de 18,6% em roubos de celular. O primeiro é o aumento de câmeras de segurança em vias públicas e estabelecimentos. O segundo é a maior atuação policial concentrada em crimes contra o patrimônio. O terceiro é a mudança comportamental da população, que passa a usar menos celulares em locais públicos ou com maior cautela.

Esses fatores tornaram o roubo uma atividade criminosa com retorno menor e risco maior. A resposta de criminosos foi previsível: migrar para furtos.

Sobre o levantamento

O Anuário Brasileiro de Segurança Pública está em sua 20ª edição. É uma iniciativa do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, que consolida dados de segurança pública de todo o país para análise de tendências criminais.

Os dados de 2025 mostram uma tendência nacional consolidada: redução consistente de roubos e furtos de celular desde o pico de 2019. A queda de 25% em seis anos indica que políticas e comportamentos estão surtindo efeito, embora o volume absoluto de 830 mil aparelhos ainda represente desafio significativo para segurança pública.

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