China eleva tarifa sobre carne brasileira a 67%; entenda

China eleva tarifa sobre carne brasileira para até 67% após o fim da cota de exportação. Veja o que muda para frigoríficos em 2027

01 out, 2026
Presidente da República, Luiz Presidente Lula com o presidente da China, Xi Jinping | Reprodução Agência Brasil/ 
 Ricardo Stuckert
Presidente da República, Luiz Presidente Lula com o presidente da China, Xi Jinping | Reprodução Agência Brasil/ 
 Ricardo Stuckert

China eleva tarifa sobre carne brasileira para até 67% a partir desta quinta-feira (1º), após o Brasil esgotar a cota de exportação sem sobretaxa em 2026. A cobrança adicional de 55%, somada ao imposto de 12% já aplicado, aumenta o custo da carne bovina brasileira no mercado chinês. A mudança ocorre depois que o Brasil atingiu, na terça-feira (29), o limite de 1,106 milhão de toneladas que poderiam ser vendidas à China sem a sobretaxa em 2026.

A medida chinesa foi anunciada no fim de 2025 como forma de proteger os produtores locais, segundo as autoridades do país.

Frigoríficos antecipam estratégia para 2027

Para o próximo ano, a cota brasileira sobe para 1,128 milhão de toneladas. Apesar do aumento, o setor estima que o volume será consumido rapidamente. A expectativa é que o limite seja atingido em março ou, no máximo, abril de 2027.


China eleva tarifa sobre carne brasileira a 67%; entenda

Carne moída, alimento que teve tarifa para até 67% (Foto: reprodução/ Agência Brasil/ Fabio Rodrigues-Pozzebom)


Com a cota conhecida antecipadamente, frigoríficos e pecuaristas já conseguem planejar a produção. A previsão é que os abates sejam antecipados e que os embarques comecem em novembro, permitindo que a carne chegue ao mercado chinês em janeiro. O transporte marítimo entre os dois países leva de 40 a 45 dias.

A estratégia busca aproveitar o espaço disponível dentro da cota antes que ela seja novamente esgotada. Porém, o ritmo das compras chinesas ainda é uma incógnita. Os estoques de carne bovina no país estão elevados, assim como a produção de carne suína.

Se as vendas se concentrarem no início de 2027, os negócios entre Brasil e China podem perder força no restante do ano.

Setor busca alternativas e novos mercados

As exportações brasileiras para a China já haviam perdido ritmo antes mesmo do fim oficial da cota. Segundo o setor, julho, agosto e setembro foram meses difíceis para os frigoríficos, que reduziram as vendas e precisaram direcionar parte da produção para outros mercados.

A redução dos negócios também pressiona o caixa das empresas, já que alguns frigoríficos utilizam pagamentos antecipados de compradores chineses para financiar despesas operacionais.

Uma alternativa discutida pelo Brasil é utilizar parte de uma cota que não seja aproveitada por outros países. No fim de setembro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o Uruguai havia cedido ao Brasil parte de sua cota. As autoridades chinesas, porém, não haviam se pronunciado publicamente sobre os pedidos.

A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes também voltou a discutir uma possível divisão da cota entre os frigoríficos. A ideia é distribuir o volume com base em critérios como participação nas exportações e histórico de vendas.

Enquanto isso, a China autorizou mais duas unidades brasileiras a exportar carne bovina: Supremo Carnes, de Carlos Chagas (MG), e Masterboi, de Canhotinho (PE). Outras duas unidades foram habilitadas para exportar carne de frango.

Com mais empresas disputando o mesmo limite, a gestão da cota deverá ser um dos principais desafios para os frigoríficos brasileiros em 2027.

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