Congresso vota veto ao PL da Dosimetria em cenário de desgaste com o governo

Pauta prevê revisão do veto de Lula ao projeto que altera cálculo de penas do 8 de janeiro. A medida pode reduzir sentenças e antecipar progressão de regime de Jair Bolsonaro

30 abr, 2026
Fachada do Congresso Nacional | Reprodução/Ana Luiza Vieira
Fachada do Congresso Nacional | Reprodução/Ana Luiza Vieira

O Congresso Nacional analisa, nesta quinta-feira (30), o veto integral da Presidência da República ao Projeto de Lei da Dosimetria. A proposta estabelece novos critérios para o cálculo de penas, o que pode resultar na redução de sentenças de condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023.

A votação ocorre em um cenário de fragilidade da base governista, acentuada pela recente rejeição da indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF). Caso o veto seja derrubado, o projeto alterará o Código Penal para impedir a soma direta de penas em crimes contra o Estado Democrático.


Assista à sessão que analisa o veto ao PL da Dosimetria. (Vídeo: reprodução/YouTube/@TVSenado)


A medida beneficia diretamente centenas de réus, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro. Para a rejeição do veto, são necessários os votos de 257 deputados e 41 senadores.

O impacto jurídico e o caso de Jair Bolsonaro

A nova legislação deve impactar a realidade penal de cerca de 280 pessoas. O destaque recai sobre a situação de Jair Bolsonaro, que atualmente cumpre prisão domiciliar por questões de saúde.


Duas imagens lado a lado registram danos ao patrimônio no Congresso Nacional após os ataques de 8 de janeiro. À esquerda, uma maquete tátil do prédio está coberta por grandes estilhaços de vidro e lixo, incluindo uma garrafa plástica. À direita, uma escultura de bronze de uma figura feminina aparece danificada e suja, posicionada sobre o tapete verde do Salão Nobre, que apresenta manchas de lama e resíduos.

Salão Verde da Câmara: maquete do Congresso quebrada e escultura do anjo vandalizada. (Foto: reprodução/Clauder Diniz/Câmara dos Deputados)


Com uma condenação que ultrapassa os 27 anos, o ex-presidente tem previsão de progressão para regime semiaberto apenas em 2033 sob as regras atuais. No entanto, com a aplicação do PL da Dosimetria, especialistas estimam que esse prazo poderia ser antecipado para um intervalo entre dois e quatro anos.

Articulação no Congresso isola pontos polêmicos e abre caminho para queda do veto de Lula

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil), acionou uma manobra regimental estratégica para destravar a votação do PL da Dosimetria e facilitar a derrubada do veto presidencial. Ao declarar a “prejudicialidade” de trechos que conflitavam com a Lei Antifacção, o senador retirou da pauta pontos que poderiam suavizar punições para crimes de extrema gravidade, como feminicídio e atuação de facções criminosas.

Com essa articulação, a tendência é que a oposição ao governo atinja o número suficiente para tornar a redução das penas uma realidade legal. Esse otimismo da oposição baseia-se no histórico da aprovação original do projeto, quando a Câmara registrou 291 votos a favor e 148 contra, enquanto o Senado contabilizou 48 votos favoráveis e 25 contrários.

Ainda que o projeto venha a se tornar lei, a redução das sentenças não será imediata, pois caberá exclusivamente ao Supremo Tribunal Federal (STF) realizar o recálculo individual das punições de cada réu. Para que isso ocorra, a Corte precisará ser formalmente provocada por meio de pedidos das defesas dos condenados, do Ministério Público ou por iniciativa de um ministro relator dos processos ligados à tentativa de golpe.

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