Crise migratória em Ceuta atinge recorde e reacende tensão territorial
Governo espanhol devolve 70 mil migrantes ao Marrocos após travessias a nado em massa, gerando nova crise e impasse diplomático na fronteira de Ceuta
Fez uma semana, ontem, quinta-feira (6), que a crise dos imigrantes começou em Ceuta, na Espanha. A situação não é novidade para os espanhóis, que já vivenciaram antes a chegada de grandes grupos de imigrantes do norte da África, tendo como destino Ceuta e Melilla, cidades espanholas na fronteira com o continente africano.
Imigração em ondas
Assim como em outras ocasiões, a última leva de imigrantes também veio de uma única vez. Cerca de 70 mil pessoas deixaram o Marrocos rumo a Ceuta há cinco dias. Em ocasiões anteriores, no entanto, a entrada desses grupos se dava por terra, escalando grades e forçando a passagem pelos portões que dividem os dois países. Foi assim, inclusive, que os pais do jogador Nico Williams, hoje campeão mundial pela seleção espanhola, chegaram ao país.
Media spagnoli: identificati agenti dei servizi segreti marocchini tra i migranti di Ceutahttps://t.co/HEQWtBFkWk pic.twitter.com/zL2Ze9BuYn
— Tg La7 (@TgLa7) August 2, 2026
Imigrantes chegando pelo mar em Ceuta (Foto: Reprodução/X/@TgLa7)
Entrar em grande quantidade de uma só vez é uma forma de driblar as autoridades de imigração, já que o efetivo dos países de destino não dá conta de barrar tantas pessoas ao mesmo tempo. Um episódio parecido ocorreu em 2014, quando um grande grupo de imigrantes atravessou a fronteira ao mesmo tempo.
Mas o volume desta última crise não tem precedentes, assim como o contexto em que ela ocorreu e as dúvidas que ainda cercam o caso. Diferentemente do habitual, boa parte dos imigrantes não chegou pelo mar. O caso pegou a Europa de surpresa, deu início a uma nova crise migratória no continente e reacendeu uma disputa territorial que estava esquecida entre Espanha e Marrocos.
Posição do governo espanhol
O governo espanhol informa que cerca de 70 mil imigrantes já foram enviados de volta ao Marrocos, cruzando a pé o mesmo portão de fronteira, sob acompanhamento de forças militares.
Ainda não há uma explicação oficial para esse fluxo migratório recorde, que se aproxima do total de moradores de Ceuta, cidade com cerca de 80 mil habitantes. Há a suspeita de que o Marrocos tenha “fechado os olhos” para uma convocação feita nas redes sociais pedindo a entrada em massa.
Spain has a city on the African side of the Mediterranean because one small peninsula controlled one of the most important gateways between Europe and Africa.
Ceuta sits on the north coast of Africa, bordered by Morocco and facing the Strait of Gibraltar. From the city, Spain is… pic.twitter.com/hRol46LUKl
— ArchaeoHistories (@histories_arch) July 9, 2026
Mapa de Ceuta, Espanha e Marrocos (Foto: Reprodução/X/@histories_arch)
A nova forma de entrada dos marroquinos acontece porque, no início de julho, a Suprema Corte espanhola definiu que a polícia só pode expulsar de forma imediata e automática os imigrantes que entrem ilegalmente no país por terra. É por isso que, provavelmente, desta vez, os imigrantes tenham optado por atravessar a nado.
