BO contra deputado do PL passa a incluir lesão corporal após tiro que atingiu Fred Bruno

Apresentador do Globo Esporte SP foi oficialmente registrado como vítima após advogada comparecer à delegacia; Polícia Civil expediu guia para exame no IML

21 out, 2026
Fred Bruno quebra o silêncio após incidente com disparo envolvendo deputado I Reprodução/Instagram
Fred Bruno quebra o silêncio após incidente com disparo envolvendo deputado I Reprodução/Instagram

A Polícia Civil de São Paulo incorporou lesão corporal à apuração do disparo envolvendo o deputado estadual Marcelo Aguiar (PL), que acertou o tênis do apresentador Fred Bruno, do Globo Esporte SP, durante confusão em casa noturna no Itaim Bibi na madrugada da última segunda-feira (19).

Fred foi oficialmente registrado como vítima do caso após sua advogada comparecer à delegacia na última terça-feira (20) com procuração e petição. O boletim de ocorrência original, lavrado na madrugada do incidente, não trazia o apresentador nesta condição. A corporação também expediu guia para que Fred se submeta a exame no Instituto Médico Legal (IML) que comprove as lesões sofridas.

O apresentador relatou dores e inchaço no pé após o episódio. Ao compartilhar detalhes em vídeo publicado nas redes sociais, Fred descreveu o momento em que foi atingido pelo projétil:

“Começou uma queimação muito estranha, uma dor que eu nunca tinha sentido antes ali e aí eu falei, cara, aconteceu alguma coisa”.

O tênis que vestia foi rasgado e seu pé começou a inchar e latejar. Fred reafirmou seu compromisso em levar o caso adiante e pediu que as autoridades investigassem com rigor:

“Vou pegar tudo isso e vou apresentar à delegacia, vou apresentar às autoridades para que todo esse caso seja esclarecido porque um fato desse não pode ser passado impune”.

O apresentador também criticou a presença de uma arma dentro do estabelecimento, alertando para o risco que a situação representava:

“Hoje eu tô bem, mas poderia ter acontecido algo muito grave comigo, com outras pessoas que estavam dentro do estabelecimento”.

Relato de testemunhas sobre o comportamento do deputado

Frequentadores da casa noturna Santo relataram que Marcelo Aguiar apresentava sinais visíveis de embriaguez e estava abordando mulheres de forma insistente. Segundo testemunhas ouvidas pelo G1, o deputado estava “absurdamente bêbado”, “xavecando”, “pegando na mão”, “encostando” e “tentando mexer no cabelo” de mulheres presentes que não demonstravam interesse.

Homens que acompanhavam uma das mulheres abordadas se aproximaram do parlamentar e pediram que ele cessasse o comportamento. Uma discussão eclodiu entre os presentes. Momentos depois, o disparo ocorreu. No registro da Polícia Militar, consta que Marcelo Aguiar teria se sentido acuado, sacado a arma e efetuado um disparo. Uma testemunha ouvida pelo G1 relatou que o deputado caiu no chão no momento em que o tiro foi disparado.


 

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Fred Bruno (Vídeo: reprodução/Instagram/@portalg1)


A versão do deputado

Durante depoimento à Polícia Civil, Marcelo Aguiar alegou que se sentiu mal durante a permanência na casa noturna, possivelmente em razão de medicamentos que havia ingerido. Ele declarou que ouviu o disparo e que, caso o projétil tenha saído de sua arma, ocorreu de maneira acidental.

A assessoria do deputado divulgou comunicado sobre o ocorrido:

“A assessoria do deputado Marcelo Aguiar informa que, sobre o episódio ocorrido na noite do último domingo, o parlamentar estava sob efeito de medicamentos fortes, que provocaram uma reação adversa, e acabou se envolvendo em uma discussão”.

Os representantes do parlamentar também reafirmaram que não houve formalização de prisão:

“Em nenhum momento o deputado foi preso. Ele apenas prestou esclarecimentos na delegacia e foi liberado em seguida.”

Imunidade parlamentar e apreensão da arma

Após o disparo, Marcelo Aguiar foi retirado do estabelecimento por seguranças. Policiais militares relataram necessidade de algemá-lo diante do estado de exaltação e do risco que representava à integridade física dele e de terceiros.

O deputado foi conduzido ao 14º Distrito Policial, em Pinheiros, mas a prisão em flagrante não foi formalizada. Conforme explicou o delegado responsável pela ocorrência, a imunidade formal parlamentar impede a prisão em flagrante de deputados estaduais, salvo em casos de crimes inafiançáveis. Como o disparo de arma de fogo integra a categoria de crime afiançável, Marcelo Aguiar foi liberado.

A pistola Glock G42, calibre .380, pertencente ao deputado, foi apreendida para perícia. Segundo a Polícia Civil de São Paulo, a arma estava regularizada e o parlamentar tinha autorização para portá-la.

Apurações em prosseguimento

A corporação investiga denúncias de importunação sexual contra as mulheres que estavam no estabelecimento naquela noite. A polícia também trabalha para identificar os homens envolvidos na discussão que precedeu o disparo.

Outra linha de investigação da Polícia Civil diz respeito ao uso de placa oficial da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) em um veículo utilizado pelo deputado, conforme apurado pelo G1. O automóvel não consta entre os veículos autorizados pela Casa para circular com tal identificação.

A Comissão de Ética da Alesp analisará a conduta de Marcelo Aguiar em consequência do episódio.

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