Ministro das relações exteriores do Irã afirma que “Dia D Econômico” de Trump é uma “distração”

Ministro das Relações Exteriores do Irã minimizou falas de Trump sobre a “operação econômica mais esmagadora”; Trump diz que medida é por falta de acordos

20 ago, 2026
Abbas Araghchi | Reprodução/X/@aleksthgrt
Abbas Araghchi | Reprodução/X/@aleksthgrt

Nesta quinta-feira (20), o ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araqchi, disse que o “Dia D Econômico” dos EUA contra o Irã foi uma forma de distrair os problemas econômicos americanos e alertou que a pressão seria um fracasso. De acordo com Araqchi, a decisão de Trump só trará “mais derrota” aos Estados Unidos.

Na última quarta-feira (19), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, determinou o “Dia D Econômico” como “operação econômica mais esmagadora” já realizada contra um país, no caso, o Irã. Ele também ameaçou punir qualquer país que ajudar a manter a economia iraniana funcionando.

Trump faz ameaças e Abbas Araqchi minimiza as falas do presidente

Em uma publicação na Truth Social, o presidente Donald Trump disse que “QUALQUER país que permita que suas instituições financeiras, empresas, aeroportos ou órgãos governamentais forneçam qualquer tipo de apoio ao Irã também enfrentará CONSEQUÊNCIAS ECONÔMICAS ENORMES”, publicou. E acrescentou: “Contrabando de petróleo, linhas de swap, transferências de dinheiro, casas de câmbio, registros de navios, empresas de fachada — tudo isso precisa parar AGORA. Vocês sabem quem são.”


Trump fala sobre “Dia D Econômico” (Foto: reprodução/X/@PauloFilho_90)


Segundo Trump, a “guerra econômica” contra o Irã irá asfixiar o país. Porém, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, minimiza as falas de Trump ao escrever nas redes sociais que: “O chamado ‘Dia D Econômico’ é uma distração em relação à própria crise dos Estados Unidos: uma dívida sem precedentes e juros em alta. Dobrar a aposta em políticas fracassadas trará apenas uma nova derrota e a inimizade dos iranianos”, declarou. Araghchi também acrescentou que o terrorismo dos EUA alcança camadas econômicas e a soberania mundial. “O terrorismo econômico dos Estados Unidos ameaça a economia mundial e a soberania em todo o planeta”, enfatizou o chanceler iraniano.


Ministro Abbas Araghchi no X (Foto: reprodução/X/@araghchi)


O presidente disse que a medida é resultado da falta de um acordo com o Irã. Os dois países começaram a negociar a interrupção do programa nuclear iraniano no início do ano; porém, o  fracasso nas conversas provocou uma guerra. Trump afirmou ainda que quer todos os aliados dos Estados Unidos trabalhando para “isolar” e “derrotar” a “ameaça iraniana”.

Relações comerciais do Irã

A guerra teve início em 28 de fevereiro com os ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã. Teerã respondeu com ataques contra alvos americanos, principalmente bases militares. Ocorreu um cessar-fogo em 8 de abril, mas os confrontos continuaram em seguida. O Estreito de Ormuz (passagem do petróleo extraído no Golfo) é alvo de tensões e está bloqueado. Para a reabertura ser feita, Teerã deseja a suspensão do bloqueio naval americano aos portos iranianos.


Estreito de Ormuz (Foto: reprodução/Getty Images Embed/Majid Saeedi)


A efetividade de uma guerra econômica contra o Irã é questionada. Em janeiro, Trump anunciou uma tarifa de 25% para qualquer país que fizesse negócios com o Irã; porém, o país manteve uma grande rede de parceiros comerciais, por ser um importante produtor de petróleo. Segundo dados do Banco Mundial, em 2022 o Irã enviou produtos para 147 países.

A lista de grandes parceiros comerciais do Irã inclui Alemanha, Coreia do Sul e Japão, países aliados dos Estados Unidos. Além disso, a China também é o principal parceiro comercial do Irã. Em 2022, o país exportou US$ 22 bilhões em produtos para os chineses. Em segundo lugar surge a Índia, com as principais exportações sendo de arroz, frutas, verduras, medicamentos e outros produtos farmacêuticos. Vale ressaltar que, nos primeiros dez meses de 2025, o comércio entre os dois países somou US$ 1,34 bilhão.  

Trump defende uma política de “pressão máxima” sobre o Irã e restabeleceu sanções após retornar à Casa Branca em janeiro de 2025, com a intenção de ampliá-las ainda mais. A ameaça pode afetar o comércio de petróleo do Irã devido aos bloqueios e ataques no Estreito de Ormuz. Além disso, apesar das parcerias comerciais, a moeda do Irã perdeu quase 30% de valor em relação ao dólar em 2026, e o bloqueio dos EUA provocou uma inflação de quase 80% no Irã. 

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