Maduro preso nos EUA defende diálogo na Venezuela antes de negociações políticas
Preso em Nova York, Nicolás Maduro afirma aceitar caminhos de diálogo enquanto governo interino e oposição iniciam conversas políticas
Maduro preso nos EUA voltou ao centro das discussões políticas sobre a Venezuela após afirmar que apoia “qualquer caminho para o diálogo” no país. A declaração foi publicada nas redes sociais antes da primeira reunião presencial entre representantes do governo interino venezuelano e integrantes da oposição apoiados pelos Estados Unidos. O encontro ocorre enquanto o ex-presidente e sua esposa, Cilia Flores, permanecem detidos em uma prisão de Nova York, onde respondem a acusações que ambos negam.
Maduro defende negociações e fala em reconstrução nacional
Na publicação divulgada em seu canal oficial, Nicolás Maduro afirmou que considera o diálogo um instrumento para fortalecer a convivência entre os venezuelanos. Em um dos trechos da mensagem, declarou: “Acolhemos qualquer caminho de diálogo que ajude a consolidar a paz, a convivência e o encontro entre os venezuelanos.”
O texto também menciona um “renascimento nacional” e incentiva iniciativas voltadas para entendimento político e cooperação entre diferentes setores da sociedade. A mensagem foi publicada pouco antes do início das negociações presenciais previstas em Caracas, reforçando a repercussão do tema no cenário político venezuelano.
Nicólas Maduro (Foto: reprodução/Jesus Vargas/Getty Images Embed)
Desde sua prisão em janeiro, o canal utilizado por Maduro divulga atualizações frequentes sobre sua situação, incluindo uma contagem diária do período em que ele afirma estar em cativeiro. Em manifestações anteriores, o ex-presidente voltou a afirmar que considera sua detenção um “sequestro” e se define como “prisioneiro de guerra”, posição apresentada também durante sua primeira audiência em um tribunal norte-americano.
Governo interino e oposição iniciam nova rodada de conversas
As negociações serão conduzidas entre representantes do governo interino liderado por Delcy Rodríguez e integrantes de um grupo da oposição apoiado por Washington. Segundo as partes envolvidas, a primeira reunião presencial terá como pauta assuntos relacionados aos impactos do terremoto registrado em junho, além do fortalecimento da democracia e das garantias políticas no país.
A principal líder opositora, María Corina Machado, não participará diretamente das conversas. Apesar disso, ela informou que não pretende dificultar o andamento das negociações. O diálogo ocorre em meio à pressão internacional por uma solução política que inclua a definição de um calendário eleitoral para a Venezuela.
Enquanto isso, a situação judicial de Maduro continua em andamento nos Estados Unidos. O julgamento do ex-presidente e de Cilia Flores está marcado para começar em 1º de junho de 2027, conforme decisão de um tribunal federal de Nova York. Em abril, o Departamento do Tesouro dos EUA autorizou o pagamento dos honorários advocatícios do casal, que anteriormente estavam bloqueados pelas sanções impostas ao ex-governante.
