Diretor de escola resgata 900 estudantes durante inundações no Nepal
Enchente matou 794 pessoas no Nepal e 16 no Tibete, deixando mais de 2.500 desaparecidos
Em 26 de agosto, Rajendra Dawadi, diretor da Escola de Ensino Médio Tribhuvan Trishuli em Nuwakot, tomou uma decisão que salvou centenas de vidas. Ao receber sucessivos avisos de que a inundação já havia atingido Betrawati, localidade rio acima, ele evacuou aproximadamente 900 dos 1.600 alunos da instituição para uma área elevada. A ação ocorreu poucos minutos antes de as águas devastarem completamente a região.
Os quatro alertas chegaram ao diretor em rápida sucessão ao longo de alguns poucos minutos. Cada um trazia informações alarmantes sobre o avanço da enchente rio acima. Diante da informação, Dawadi decidiu não adiar a evacuação.
“Decidi que não deveria mais esperar. Mesmo que a enchente não chegasse, tratava-se apenas de um dia de aula”, relata Rajendra Dawadi.
A margem de segurança mínima
Durante a retirada dos alunos, o diretor testemunhou a destruição em tempo real. O prédio de alojamento que ficava a apenas 100 metros do rio foi completamente tomado pelas águas enquanto os estudantes fugiam. A diferença entre o início da evacuação e o avanço das enchentes foi medida em minutos.
“Se tivéssemos tomado essa decisão 10 minutos mais tarde, nenhum de nós, nem eu, nem os alunos, estaria aqui hoje.”
Yunisha, aluna de 16 anos que estava na escola naquele dia, vivenciou a fuga de perto. Ela descreve o momento com precisão: escapou com seus colegas por uma margem extremamente estreita.
“Eu e meus amigos escapamos por uma diferença de apenas 10 segundos”, conta Yunisha.
A adolescente correu por um caminho estreito e lamacento atrás do prédio escolar enquanto a água avançava rapidamente. Em poucos instantes, viu o mercado próximo à escola ser completamente levado pelas águas diante dos seus olhos.
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Rajendra Dawadi, diretor da Escola de Ensino Médio Tribhuvan Trishuli em Nuwakot (Vídeo: reprodução/Instagram/@salimalsabbagh)
O reencontro e o alívio
A mãe de Yunisha, Sabina Shrestha, passou horas desesperadas tentando contato com a filha. Após saber da inundação, ela tentou ligar diversas vezes, sem sucesso.
“Eu estava em pânico. Tentei ligar várias vezes para minha filha e para o pai dela, mas não consegui falar com nenhum dos dois”, relata Sabina.
Três dias depois do desastre, Yunisha conseguiu retornar para casa. O reencontro foi marcado pelo alívio da mãe, que celebrou a volta segura da filha.
Os números da tragédia
A magnitude da enchente no Nepal e arredores é devastadora. Segundo autoridades locais, pelo menos 794 pessoas morreram no Nepal e mais de 2.500 estão desaparecidas. A mídia estatal chinesa reporta que no Tibete 16 pessoas morreram e 546 estão desaparecidas.
Os desaparecidos incluem cidadãos de diferentes países, e operações de resgate continuam em andamento nas regiões mais afetadas.
Risco de novos desastres
Jeff Da Costa, pesquisador em sistemas de alerta precoce de inundações, alerta para um perigo contínuo. Segundo ele, os detritos deixados pelo desastre bloquearam rios e formaram novos lagos, criando um cenário de risco permanente de futuras inundações.
O monitoramento dessas novas barreiras naturais é crucial, especialmente em um contexto de mudanças climáticas que alteram geleiras e a estabilidade das encostas no Himalaia. Dawadi demonstrou que vigilância e ação rápida podem fazer a diferença entre a vida e a morte.
