Dívida dos EUA supera R$ 200 trilhões no governo Trump

Dívida americana passa de US$ 40 trilhões, enquanto cortes de impostos, juros elevados e despesas públicas dificultam o equilíbrio das contas

06 set, 2026
Donald Trump | reprodução/X/@BFMTV
Donald Trump | reprodução/X/@BFMTV

Dívida dos EUA ultrapassa US$ 40 trilhões, cerca de R$ 206 trilhões, e coloca em evidência um dos principais desafios econômicos enfrentados por Donald Trump no segundo mandato. O presidente prometeu reduzir despesas e combater desperdícios, mas o endividamento continuou avançando.

A dificuldade está no próprio desenho da política econômica. Ao mesmo tempo em que busca diminuir gastos, Trump aprovou novas reduções de impostos e aposta em um crescimento acelerado para aumentar a arrecadação no futuro. Enquanto esse resultado não aparece na dimensão esperada, o governo segue financiando parte de suas despesas por meio de novas dívidas.

Por que a dívida continua aumentando?

O orçamento americano é pressionado por diferentes fatores que acontecem simultaneamente. Entre os principais estão:

  • redução de receitas provocada por cortes tributários;
  • despesas públicas que permanecem elevadas;
  • aumento do custo dos juros;
  • maior demanda por benefícios sociais com o envelhecimento da população.

Os cortes de impostos ajudam a explicar parte do avanço. Estimativas do Escritório de Orçamento do Congresso apontam que a legislação tributária aprovada no segundo mandato de Trump pode acrescentar US$ 4,7 trilhões à dívida. Durante seu primeiro governo, as reduções de impostos já haviam sido estimadas em US$ 8,4 trilhões pelo Comitê para um Orçamento Federal Responsável.



Entenda a dívida dos EUA (Vídeo: reprodução/Youtube/@CNN Brasil)


Trump aposta no crescimento

A estratégia do presidente depende de uma economia capaz de crescer em ritmo suficiente para ampliar a arrecadação e compensar parte da perda de receitas. Trump chegou a afirmar que suas políticas poderiam elevar a produção americana em 20% ao ano.

Esse resultado, porém, seria excepcional. Desde 1947, uma expansão dessa magnitude ocorreu apenas uma vez, no período de recuperação econômica registrado em 2020 após a fase mais crítica da pandemia.

Além disso, juros elevados tornam a dívida mais cara. Com um passivo superior a US$ 40 trilhões, pequenas mudanças no custo de financiamento podem representar grandes despesas adicionais para o governo.

Problema vai além de Trump

O atual presidente não criou sozinho o endividamento americano. A dívida cresceu durante diferentes governos, de ambos os partidos, impulsionada por cortes de impostos, programas públicos, estímulos econômicos e despesas militares.


Dívida aumentou com governo de Trump (Foto: reprodução/Kevin Dietsch/Getty Images Embed)


O envelhecimento da população acrescenta outro obstáculo. A aposentadoria dos baby boomers aumenta a pressão sobre benefícios como a Previdência Social, enquanto a proporção de trabalhadores que financiam esses programas diminui.

A tentativa de compensar esse cenário com cortes também ficou abaixo da meta anunciada. O esforço liderado por Elon Musk havia projetado US$ 2 trilhões em economias, mas posteriormente informou cerca de US$ 110 bilhões. O Escritório de Responsabilidade Governamental ainda questionou parte dos valores apresentados.

Assim, o tamanho da dívida americana resulta de uma combinação de fatores que não pode ser resolvida apenas com cortes administrativos. Para mudar essa trajetória, o governo precisaria equilibrar crescimento, arrecadação, despesas e custo do financiamento.

Mais notícias