Dólar atinge menor nível em 20 meses ao fechar a R$ 5,19; Ibovespa recua

Ibovespa cai com cautela externa após decisões de juros no Brasil e nos Estados Unidos; juros, política e dados dos EUA mexem com o mercado

29 jan, 2026
Dólar | Reprodução/Pixabay
Dólar | Reprodução/Pixabay

O dólar encerrou esta quinta-feira (29) em queda de 0,22%, cotado a R$ 5,19. Assim, a moeda renovou o menor nível de fechamento desde maio de 2024. Enquanto isso, o Ibovespa operou em baixa na reta final do pregão.

À primeira vista, o principal índice da bolsa brasileira reagiu à piora do humor em Nova York. Após decisões de juros no Brasil e nos Estados Unidos, investidores buscaram novos indicadores e, por isso, dados econômicos e falas políticas passaram a orientar os mercados.

Mercado reage a dados domésticos e cautela assídua

Sobretudo, no Brasil a agenda trouxe números do mercado formal de trabalho com o Caged indicando criação líquida de 1,279 milhão de vagas em 2025. Segundo o Ministério do Trabalho, o resultado confirmou a força do emprego formal. Além disso, os dados ajudaram a calibrar expectativas para o início de 2026.

Nesse sentido, analistas avaliam se há espaço para cortes na taxa Selic, mas o debate ganhou força após sinais de inflação mais controlada. Ainda assim, investidores mantiveram postura cautelosa durante o pregão. O ambiente externo seguiu determinante para ativos locais.

Pressões políticas e indicadores nos EUA

Nos Estados Unidos, o mercado reagiu à manutenção dos juros pelo Federal Reserve (Fed), o Banco Central dos americanos. Mesmo assim, o presidente Donald Trump voltou a criticar a decisão e afirmou que os juros elevados prejudicam a economia americana.


Economista analisa Trump e a queda do dólar (Vídeo: reprodução/YouTube/@bmcnewstv)


Ainda assim, o líder estadunidense afirmou que a política monetária atual custa bilhões ao país. Nesse cenário, investidores acompanharam pedidos semanais de auxílio-desemprego. O Departamento do Trabalho informou leve queda nas solicitações iniciais, com registros de 209 mil pedidos na semana encerrada em 24 de janeiro. Apesar disso, o número ficou acima das projeções do mercado. O feriado de Martin Luther King Jr. influenciou a leitura dos dados, os quais ajudam a medir o ritmo do mercado de trabalho.

Juros nos EUA seguem no centro das atenções

Na véspera, a chamada Superquarta definiu o tom dos mercados. O Fed manteve a taxa entre 3,50% e 3,75% ao ano e, com isso, interrompeu uma sequência de três cortes consecutivos. A decisão veio após redução de 0,25 ponto percentual em dezembro.

Em comunicado, o Fed apontou desaceleração na criação de vagas. Por outro lado, o desemprego permanece relativamente estável e a inflação ainda segue acima da meta, segundo o comitê. Logo, esse fator explica a postura mais cautelosa da autoridade monetária. Em entrevista, Jerome Powell adotou tom mais firme e indicou que novos cortes não devem ocorrer no curto prazo.

Riscos institucionais entram no radar

Para o economista Gustavo Sung, a economia americana segue resiliente, portanto, dados recentes afastam o risco imediato de recessão. Ainda assim, Sung alerta para riscos institucionais à frente. O mandato de Jerome Powell termina em maio, o que gera incertezas. Já a sucessão no comando do Fed preocupa investidores. 

Contudo, uma possível interferência política pode afetar as expectativas de inflação. Além disso, mudanças no perfil da liderança podem impactar o dólar. Consequentemente, Mercados também reagiriam à perda de credibilidade monetária.

Banco Central sinaliza cortes e debate ritmo

No Brasil, o Copom manteve a Selic em 15% ao ano, porém, o comitê sinalizou possível corte já em março. Ao passo que a indicação depende da confirmação do cenário esperado, o BC projeta inflação mais comportada nos próximos meses. Mesmo assim, o comunicado reforçou cautela na condução da política.


Fernando Haddad analisa Selic (Vídeo: reprodução/YouTube/@CNN Brasil)


Atualmente, a Selic está no maior nível em quase 20 anos e, em 2006, a taxa chegou a 15,25% ao ano. Integrantes do governo defendem a queda dos juros desde o ano passado e apontam efeitos negativos sobre crédito e investimentos. Em cenário distinto, o economista Gesner Oliveira afirma que a decisão combina prudência e sinalização clara. Ao passo que Oliveira diz que o BC prepara o mercado para um novo ciclo e que cortar agora poderia ser precipitado, incertezas externas e fiscais ainda pesam sobre o cenário.

Ainda assim, a comunicação indicou o início da flexibilização. Seja como for, a dúvida agora recai sobre o ritmo do primeiro corte e o mercado discute redução de 0,25 ou 0,50 ponto percentual. Essa decisão deve influenciar ativos nos próximos meses.

Bolsas globais refletem cautela

Em Wall Street, os índices reagiram à fala de Powell: de um lado, o Dow Jones subiu levemente na abertura; já de outro, S&P 500 e Nasdaq registraram quedas. Nesse ínterim, investidores também acompanharam balanços de tecnologia.

Já o ouro avançou mais de 2% e superou US$ 5.500 por onça. Por vez, o movimento reforçou a busca por proteção. Na Europa, as bolsas fecharam mistas, com viés negativo. Já na Ásia, os mercados reagiram positivamente a medidas na China.

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