Disputa entre Donald Trump e emissoras chega à Justiça Federal nos EUA
Conflito entre o presidente americano e veículos de imprensa chega à Justiça após restrições na Casa Branca; decisão temporária garante o retorno dos jornalistas
A disputa entre Donald Trump e veículos de imprensa ganhou um novo capítulo nos Estados Unidos. Mesmo após um juiz federal determinar a restauração do acesso de CNN, MS NOW e Politico à Casa Branca, a equipe da CNN foi impedida de acompanhar o presidente no Air Force One durante uma viagem ao Tennessee, prevista para este sábado (26). A decisão foi divulgada pelo Washington Post e ocorre poucos dias após a determinação judicial.
O episódio também ameaça o funcionamento do sistema de cobertura compartilhada da imprensa televisiva, conhecido como pool, que voltou a operar na última sexta-feira (25), após uma suspensão conjunta. CNN, ABC, CBS, NBC e Fox News participam do esquema, que permite que uma emissora registre imagens de compromissos presidenciais e as disponibilize aos demais veículos.
A disputa judicial continua, enquanto a Casa Branca e as organizações de comunicação divergem sobre os limites do acesso da imprensa às atividades presidenciais.
Compromissos Oficiais e Profissionais Responsáveis
A Casa Branca decidiu impedir jornalistas da CNN de viajarem no Air Force One com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Segundo o jornal The Washington Post, Trump viajará ao Tennessee para cumprir compromissos oficiais. É comum que os profissionais responsáveis pela cobertura presidencial acompanhem o presidente na mesma aeronave e, durante viagens mais longas, Trump costuma conversar com os jornalistas a bordo.
Na semana anterior, a CNN havia sido retirada da cobertura na Casa Branca, junto com a MS NOW e o site Politico. Contudo, na última quinta-feira (24), um juiz federal determinou que o governo Trump permitisse novamente a entrada desses veículos na sede do Executivo.
Após o novo bloqueio, ABC, NBC, CBS e Fox News também decidiram interromper temporariamente a cobertura conjunta dos eventos presidenciais, conhecida no jornalismo como “pool”.
CNN excluída do Air Force One na viagem de Trump ao Tennessee https://t.co/I2BO82dAwZ
— SIC Notícias (@SICNoticias) September 26, 2026
Jornalistas da CNN são impedidos de viajar com Donald Trump (Foto: reprodução/X/@SICNoticias)
A Fox News também participou do boicote, apesar de ser conhecida por manter uma relação mais próxima com Donald Trump. O chefe da emissora em Washington, Bryan Boughton, apoiou a decisão de interromper a cobertura conjunta. Posteriormente, a Fox News se juntou a outras quatro redes de televisão em um comunicado que criticou as restrições impostas aos veículos de imprensa.
As emissoras afirmaram que o público tem o direito de receber informações independentes e confiáveis sobre as ações do governo. O comunicado também destacou que uma administração não deveria impedir o trabalho de uma empresa jornalística por discordar de suas reportagens. A manifestação reforçou a preocupação das redes com o acesso dos jornalistas às atividades presidenciais e com a liberdade de imprensa na cobertura da Casa Branca.
Detalhes Sobre o Processo Judicial
As emissoras CNN, MS NOW e Politico levaram o caso à Justiça federal em Washington, alegando que a decisão do governo violava a Primeira Emenda, que protege a liberdade de expressão e de imprensa nos Estados Unidos. Os veículos também afirmaram que seus direitos ao devido processo legal foram desrespeitados.
Os três veículos pediram uma medida provisória para recuperar o acesso à Casa Branca enquanto o processo continuasse. Na última semana, o juiz Timothy Kelly determinou a restauração das credenciais por catorze dias, permitindo o retorno dos jornalistas ao local. A decisão, no entanto, é temporária e não encerra a disputa judicial.
Mesmo com a ordem judicial, o conflito continuou gerando novos episódios. Sobretudo, no mesmo dia, jornalistas da CNN e MS NOW relataram dificuldades para acompanhar a chegada do presidente chinês Xi Jinping à Casa Branca para um jantar de Estado. O caso segue sendo acompanhado pela Justiça, enquanto os veículos defendem o direito de realizar a cobertura presidencial e o governo Trump mantém sua posição sobre as restrições impostas à imprensa.
