Duração da guerra entre Irã, EUA e Israel segue indefinida

Irã consegue manter por mais tempo seus ataques; possível estratégia iraniana pode prolongar os conflitos com os EUA até Trump sair do mandato

13 ago, 2026
Estreito de Ormuz | Reprodução/X/@desireerugani
Estreito de Ormuz | Reprodução/X/@desireerugani

Após sete meses de guerra, e apesar da forte pressão sobre a economia e a infraestrutura do país, os conflitos entre Irã, EUA e Israel não possuem previsão de encerramento. O fim da guerra envolve falta de reciprocidade e capacidade armamentista, nuclear de manter os ataques e estratégias.

Capacidade de manter a guerra impacta na duração

Conforme a Chatham House (renomado centro de reflexão e pesquisa), não há como definir quantos mísseis o Irã possui. Porém, a capacidade do país de sustentar a guerra depende de produtos que podem ser produzidos com mais rapidez e facilidade, como drones e mísseis. Além disso, a estrutura de comando está preservada.

Abordando a capacidade duração do conflito por parte do Irã durante entrevista à BBC News Persa, Mohammad Ghaedi, professor de relações internacionais da Universidade George Washington, nos EUA, disse que “o Irã provavelmente consegue manter por muito tempo a sua capacidade de realizar lançamentos — ainda que em menor intensidade — e continua capaz de provocar transtornos no estreito de Ormuz”.

Em relação aos recursos dos EUA, o país já gastou parte de seus estoques de munição  com os ataques de mísseis e drones iranianos, gerando o alerta de que não é possível repor com rapidez o arsenal. Ghaedi também afirmou que o impacto da guerra sobre o preço do petróleo e a situação política interna dos EUA aumentam a expectativa no Irã de que é possível forçar os EUA a aceitar algumas de suas condições.

A duração da guerra impacta diretamente o comércio e as exportações de petróleo, partes fundamentais do acordo. O estreito de Ormuz é o ponto principal de pressão para o Irã pressionar os EUA, ao mesmo tempo que é uma vulnerabilidade para o próprio Irã. Em geral, problemas na rota tornam a guerra para os americanos mais cara, e o bloqueio marítimo americano também dificulta as exportações de petróleo do Irã.


Estreito de Ormuz (Foto: reprodução/Getty Images Embed/Majid Saeedi)


Azizi, do SWP, afirmou que o que falta à estratégia do Irã  é que não explicam claramente como as vantagens na guerra podem ser transformadas em um acordo político. “O Irã mostrou que consegue afetar o fornecimento global de energia e aumentar os custos para os EUA e seus aliados. Mas não está claro como poderá manter indefinidamente um confronto com os EUA e os países do Golfo.”,  afirmou Azizi.

Irã pode prolongar guerra até Trump sair do cargo

De acordo com um importante assessor do comandante da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã, o país poderia “prolongar” a guerra com os Estados Unidos até que o presidente Donald Trump deixe o cargo

Naqdi atuou como vice-coordenador da Guarda Revolucionária Islâmica de 2019 a 2025, um cargo de alto escalão responsável pela coordenação em toda a organização, e atual assessor sênior do comandante da Guarda Revolucionária Islâmica, afirmou que “Certamente, a vitória está do nosso lado.”, ao ser questionado se acredita que o Irã está atualmente no controle da guerra.

Mohammad Reza Naqdi declarou à rede de televisão americana PBS em uma entrevista publicada na terça-feira (11), que: “Precisamos alcançar a dissuasão para que o inimigo nunca ouse nos atacar, para que possamos viver em segurança. “Uma maneira é prolongar esta guerra até o próximo mandato presidencial e causar desgaste, para que, se alguém quiser atacar o Irã, saiba que haverá consequências.”


Mohammad Reza Naqdi (Foto: reprodução/Getty Images Embed/NurPhoto)


Naqdi também disse que :“Quanto mais essa guerra durar, mais experiência ganharemos. Nunca tínhamos visto uma guerra de verdade para adquirir experiência real e aprender a lutar contra os Estados Unidos. Nestes cinco meses, aprendemos como”, acrescentou Naqdi. “Também vimos como as forças armadas americanas são mais fracas do que imaginávamos.”, reforçando a confiança de que o Irã está em vantagem no conflito.

A questão principal é, sobretudo, como a pressão do Irã sobre os EUA pode fortalecer a posição iraniana nas negociações, e se a estratégia de prolongar a guerra até a saída do presidente Trump do mandato será posta em prática. Além disso, os EUA ainda não demonstraram que vão ceder às implicações de um acordo com o Irã.

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