Sob o El Niño, volume dos rios do planeta atinge menor nível em três décadas, diz relatório
Efeitos do El Niño e derretimento de gelo projetam esgotamento de reservas subterrâneas de água potável no planeta em pouco mais de uma década
A Organização Meteorológica Mundial divulgou, nesta quinta-feira (17), um relatório sobre o estado dos recursos hídricos do planeta. De acordo com os dados, o volume dos rios em 2025 registrou o patamar mais baixo dos últimos 30 anos. Além disso, a OMM aponta que o ciclo tende a piorar com a consolidação do fenômeno El Niño nas próximas décadas.
O levantamento ainda aponta que o aquecimento recorde do ano passado acelerou o derretimento de geleiras em todo o planeta. Outro ponto destacado pelo estudo é o esgotamento dos lençóis freáticos. Se o ritmo de exploração for mantido, as reservas subterrâneas de água doce durarão apenas pouco mais de uma década.
El Niño acelera mudanças
A vazão dos rios, as chuvas e a umidade do solo respondem em poucos dias às variações ambientais, aponta o estudo. O cenário contrasta com a queda contínua de reservas, como geleiras e lençóis freáticos. A secretária-geral da OMM, Celeste Saulo, comparou essas fontes a uma “conta poupança” que evita crises imediatas em anos de seca. A dirigente fez um alerta sobre a gravidade da situação: “Estamos esgotando a poupança e gastando nossas reservas”.
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El Niño altera de forma definitiva o ciclo de chuvas, alerta OMM (Vídeo: reprodução/Instagram/@ebc)
O aquecimento global também atinge diretamente as geleiras no Ártico e na Antártida. Pelo quarto ano consecutivo, as calotas polares encolheram em todas as regiões do planeta, com uma perda acumulada de 1.400 gigatoneladas entre 2023 e 2025. Esse volume derretido corresponde a quase um terço de toda a água doce extraída e consumida no mundo em um ano.
Efeitos do El Niño impactam o abastecimento de alimentos
O derretimento das geleiras de montanha reduz a infiltração de água no subsolo, impedindo o ciclo de recarga dos reservatórios naturais. Esse esgotamento se soma à seca dos rios, principalmente na Ásia e na África. Embora o aquecimento global aumente o volume total de chuvas no planeta, as precipitações se concentram sobre os oceanos, sem aliviar as bacias hidrográficas continentais.
Na prática, a perda de volume dos rios diminui a irrigação das lavouras e gera quedas na produção agrícola do planeta. A combinação de secas prolongadas e ondas de calor extremo restringe a disponibilidade de água para o consumo humano. Além disso, a estiagem prejudica colheitas inteiras, provocando insegurança alimentar de milhões de pessoas.
