Estados Unidos confirma tarifas de 10% a 12,5% para 60 países sobre trabalhos forçados
Representante comercial americano anuncia alíquotas que devem sair esta semana, com Brasil podendo sofrer taxa de até 12,5% em investigação sobre trabalho forçado
O representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, confirmou que Washington anunciará nos próximos dias novas tarifas para aproximadamente 60 países, incluindo o Brasil. As alíquotas variarão entre 10% e 12,5% e visam substituir as sobretaxas temporárias de 10% que Trump impôs após a Suprema Corte derrubar as medidas anteriores no ano passado. A decisão tem como base uma investigação sobre trabalho forçado em bens importados.
O Brasil integra a lista de nações investigadas e pode ser atingido pela taxa máxima de 12,5%, conforme informações do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR). O governo brasileiro aguarda ainda a confirmação se essa alíquota será cumulativa aos 25% já vigentes antes de definir os próximos passos nas negociações comerciais.
Anúncio sobre novas tarifas (Vídeo: reprodução/ YouTube/ @redetvt)
Fundamento legal das tarifas
Os Estados Unidos possuem legislação que veda a importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado. Conforme explicou Greer à CNBC, esse é um diferencial americano.
“Os Estados Unidos têm leis que proíbem o comércio de bens produzidos com trabalho forçado. A maioria dos outros países não possui tais leis, e aqueles que as possuem não as aplicam de fato.”
O processo investigativo começou em março, com amparo na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. O governo americano realizou consultas públicas sobre as propostas, e a divulgação dos resultados estava prevista para esta semana. Simultaneamente, outro processo examina a capacidade industrial em excesso envolvendo União Europeia, China, Singapura, Suíça, Noruega, Indonésia, Malásia, Camboja, Tailândia, Coreia do Sul, Vietnã, Taiwan, Bangladesh, México, Japão e Índia.
Negociações e timeline do Brasil
O ministro Márcio Elias Rosa informou que o anúncio da tarifa de 12,5% deverá ocorrer na sexta-feira (24 de julho). Equipes técnicas e de alto nível de ambos os países se reuniram pela quinta vez para discutir o tema. Brasília trabalha com a expectativa de confirmação das novas alíquotas e espera que Washington estabeleça um cronograma de implementação e uma relação de produtos isentos.
Segundo Greer, em declaração à Fox Business Network, há distância substancial entre as posições de Brasil e Estados Unidos nas conversas. O prazo legal para Trump decidir sobre a tarifa de 25% ao Brasil vence em 15 de julho. Elias Rosa apontou também 29 de julho como data crítica, quando a alíquota de 25% passa a valer para mercadorias em trânsito.
Pressões internas na política americana
Aspectos do cenário político doméstico dos EUA influenciam as decisões tarifárias. O preço da gasolina atingiu mais de US$ 4 por galão nesta semana. Uma pesquisa realizada pela Focaldata para o Financial Times no início de julho revelou que mais de dois terços dos eleitores reprovavam a forma como Trump conduzia questões relacionadas ao custo de vida.
Oficiais de escalão elevado têm orientado Trump a manter estabilidade nas relações com sócios comerciais e cumprir acordos estabelecidos para redução de tarifas em 2025. Michael Smart, diretor-gerente da Rock Creek Global Advisors, avalia o contexto:
“Acredito que a principal influência sobre as alíquotas tarifárias seja o ambiente político e as preocupações com o poder de compra, que limitam a capacidade de Trump de ampliar as medidas.”
Autoridades americanas suavizaram alguns dos encargos mais rigorosos que Trump havia proposto inicialmente. Concederam exceções para produtos relevantes ao consumidor, como carne bovina e café, e diminuíram certas taxas sobre itens fabricados com aço e alumínio. Após duas recentes investigações comerciais sobre minerais estratégicos e componentes aeronáuticos, autoridades recomendaram que os EUA negociasse com parceiros ao invés de implementar novas tarifas.
A política comercial agressiva de Trump coincide com o acirramento das tensões entre Estados Unidos e Irã, que pressiona os mercados energéticos e intensifica o risco de confronto regional. Essa situação tem gerado impactos econômicos nos EUA num momento em que preocupações com o poder de compra ganham relevância política.
