EUA leva ao Congresso acordo nuclear com Arábia Saudita
Casa Branca exige adesão aos Acordos de Abraão para liberar cooperação nuclear que visa diversificar matriz energética e liberar petróleo saudita
O governo Trump apresentou ao Congresso dos Estados Unidos um acordo de cooperação nuclear civil com a Arábia Saudita. Mas, segundo um funcionário americano ouvido pela Reuters nesta terça-feira (25), as negociações só avançam se os sauditas formalizarem a adesão aos Acordos de Abraão.
Os acordos estabeleceram relações diplomáticas entre Israel e alguns países árabes. A Arábia Saudita, até agora, ficou de fora.
Expansão energética e interesses comerciais
Reportagens anteriores do The Wall Street Journal e do The New York Times já indicavam que o tratado nuclear permitiria aos sauditas desenvolver projetos de energia para fins pacíficos. Incluindo o enriquecimento de urânio.
A proposta tem prazo de 30 anos. E permitiria a participação direta de empresas norte-americanas na infraestrutura nuclear saudita. A iniciativa, porém, enfrenta resistência no Legislativo dos Estados Unidos e na comunidade internacional. O temor é que ela alimente uma escalada nuclear na região.
Alô, Brasil! Ao declarar o “Dia D econômico”, Donald Trump afirma que qualquer país que comercializar com o Irã será sancionado.
“Esses maníacos estão encurralados, e essas MEDIDAS HISTÓRICAS os deixarão paralisados”, afirma o presidente, enquanto militares dos EUA dizem estar… pic.twitter.com/q6x2Axg8l3
— Área Militar (@areamilitarof) August 21, 2026
Donald Trump (foto: reprodução/X/@areamilitarof)
O governo saudita diz que quer diversificar sua matriz energética, com o desenvolvimento da produção e do fornecimento de energia nuclear. Assim, reduziria as emissões de carbono e economizaria petróleo e gás natural, hoje a principal fonte de energia do país.
A ideia é destinar a eletricidade atômica para sistemas de climatização e usinas de dessalinização marítima. Isso liberaria mais barris de petróleo bruto para exportação. Em janeiro de 2025, os sauditas já haviam oficializado o plano de processar urânio para obter yellowcake, concentrado indispensável para fabricar combustível nuclear.
A proposta não prevê, por enquanto, a transferência de tecnologias de enriquecimento de urânio. Nem a construção de usinas nucleares pelos americanos.
Riscos de proliferação e corrida regional
O acordo interessa à Casa Branca. Ele abre um mercado bilionário para empresas dos Estados Unidos. E ajuda a garantir que Washington continue como principal parceiro energético da Arábia Saudita, deixando concorrentes como China, Rússia, França e Coreia do Sul para trás.
🇸🇦🇦🇪Arabia Saudita y EAU pasaron a Israel información que Irán les había confiado
Varios países del golfo Pérsico, incluidos Arabia Saudita y Emiratos Árabes Unidos, transmitieron a Israel los planes de ataque que la propia Irán había compartido con ellos para que aseguraran sus pic.twitter.com/lxPv9GyBFZ— Marian🇷🇺🇨🇳 (@marianpy1) April 16, 2024
Líder da Arábia Saudita (foto: reprodução/X/@marianpy1)
Mas também preocupa. O enriquecimento de urânio pode até ter fins pacíficos. Só que, sem controles rigorosos, também pode servir ao desenvolvimento de armas nucleares.
Para parlamentares e especialistas americanos, o maior receio é outro: que esse acordo vire modelo. E outros governos da região passem a exigir a mesma autonomia. Um caminho que pode acender uma corrida nuclear no Oriente Médio.
