EUA leva ao Congresso acordo nuclear com Arábia Saudita

Casa Branca exige adesão aos Acordos de Abraão para liberar cooperação nuclear que visa diversificar matriz energética e liberar petróleo saudita

27 ago, 2026
Donald Trump | reprodução/X/@sputnik_brasil
Donald Trump | reprodução/X/@sputnik_brasil

O governo Trump apresentou ao Congresso dos Estados Unidos um acordo de cooperação nuclear civil com a Arábia Saudita. Mas, segundo um funcionário americano ouvido pela Reuters nesta terça-feira (25), as negociações só avançam se os sauditas formalizarem a adesão aos Acordos de Abraão.

Os acordos estabeleceram relações diplomáticas entre Israel e alguns países árabes. A Arábia Saudita, até agora, ficou de fora.

Expansão energética e interesses comerciais

Reportagens anteriores do The Wall Street Journal e do The New York Times já indicavam que o tratado nuclear permitiria aos sauditas desenvolver projetos de energia para fins pacíficos. Incluindo o enriquecimento de urânio.

A proposta tem prazo de 30 anos. E permitiria a participação direta de empresas norte-americanas na infraestrutura nuclear saudita. A iniciativa, porém, enfrenta resistência no Legislativo dos Estados Unidos e na comunidade internacional. O temor é que ela alimente uma escalada nuclear na região.


Donald Trump (foto: reprodução/X/@areamilitarof)


O governo saudita diz que quer diversificar sua matriz energética, com o desenvolvimento da produção e do fornecimento de energia nuclear. Assim, reduziria as emissões de carbono e economizaria petróleo e gás natural, hoje a principal fonte de energia do país.

A ideia é destinar a eletricidade atômica para sistemas de climatização e usinas de dessalinização marítima. Isso liberaria mais barris de petróleo bruto para exportação. Em janeiro de 2025, os sauditas já haviam oficializado o plano de processar urânio para obter yellowcake, concentrado indispensável para fabricar combustível nuclear.

A proposta não prevê, por enquanto, a transferência de tecnologias de enriquecimento de urânio. Nem a construção de usinas nucleares pelos americanos.

Riscos de proliferação e corrida regional

O acordo interessa à Casa Branca. Ele abre um mercado bilionário para empresas dos Estados Unidos. E ajuda a garantir que Washington continue como principal parceiro energético da Arábia Saudita, deixando concorrentes como China, Rússia, França e Coreia do Sul para trás.


Líder da Arábia Saudita (foto: reprodução/X/@marianpy1)


Mas também preocupa. O enriquecimento de urânio pode até ter fins pacíficos. Só que, sem controles rigorosos, também pode servir ao desenvolvimento de armas nucleares.

Para parlamentares e especialistas americanos, o maior receio é outro: que esse acordo vire modelo. E outros governos da região passem a exigir a mesma autonomia. Um caminho que pode acender uma corrida nuclear no Oriente Médio.

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