EUA ameaçam Brasil com nova sobretaxa de 12,5%

Governo brasileiro considera adotar a Lei de Reciprocidade Econômica como forma de resposta, enquanto aguarda a conclusão definitiva dessa investigação

17 jul, 2026
Reprodução/luzitanija/Agência Brasil
Reprodução/luzitanija/Agência Brasil

O governo brasileiro acredita que os Estados Unidos podem elevar as tarifas comerciais contra o país, aplicando uma sobretaxa adicional de 12,5% sob a alegação de falhas no combate ao trabalho escravo. Se confirmada, a medida afetará o Brasil e outras 58 economias que, segundo investigações de Washington, falharam em proibir e fiscalizar adequadamente a circulação de mercadorias produzidas sob trabalho forçado.

EUA alegam concorrência “desleal”

A ampliação da taxa surge em um momento delicado para o comercio do país. O presidente Donald Trump já havia confirmado a aplicação de uma tarifa de 25% sobre diversos produtos brasileiros a partir de 22 de julho de 2026, motivada por supostas práticas comerciais desleais envolvendo o sistema Pix, o mercado de etanol e políticas ambientais. Caso as punições sejam cumulativas, parte das exportações brasileiras para o mercado americano poderá enfrentar uma taxação total de até 37,5%.


Nota do Presidente Lula à imprensa sobre a imposição de tarifas pelos Estados Unidos (Foto: reprodução/Instagram/@lulaoficial)


O relatório obtido na investigação norte-americana alega que a permissão para a entrada de mercadorias de bens vindos de trabalho forçado gera concorrência “desleal”, colocando empresas e trabalhadores dos EUA em desvantagem no mercado global. Embora o Brasil tenha assumido compromissos contra o trabalho escravo em acordos internacionais, os EUA afirmam que o país ainda precisa de uma proibição legal efetiva que impeça, na prática, a entrada de mercadorias produzidas com trabalho forçado em seu mercado interno. Produtores brasileiros e empresas norte-americanas alertaram que a imposição de novas tarifas elevaria os custos não apenas para o Brasil, mas também para consumidores dos Estados Unidos. 

Resposta do Governo Brasileiro

O governo brasileiro planeja utilizar a Lei de Reciprocidade Econômica, enquanto aguarda a conclusão definitiva da investigação para o fim de julho de 2026, quando será definido se as taxas serão de fato somadas. O Ministério das Relações Exteriores contesta as alegações americanas, argumentando que o país já possui mecanismos de fiscalização contra o trabalho análogo à escravidão e que as políticas de combate a essas práticas foram fortalecidas recentemente.

Além da possibilidade de recorrer à Lei de Reciprocidade Econômica, o governo brasileiro também pretende intensificar as negociações diplomáticas com autoridades americanas para evitar um agravamento das tensões comerciais. Integrantes do Executivo defendem que eventuais medidas restritivas adotadas pelos Estados Unidos sejam discutidas no âmbito dos acordos internacionais de comércio e ressaltam que o Brasil continuará apresentando dados e informações técnicas para demonstrar o cumprimento das normas trabalhistas e ambientais. A expectativa é de que o diálogo entre os dois países contribua para uma solução negociada antes da decisão final sobre a aplicação das tarifas.

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