Empresa dos EUA assume campos de petróleo na Venezuela

Transferência de 14 concessões faz parte de acordo firmado pelos EUA e inclui áreas exploradas por companhias chinesas e estatal russa

01 set, 2026
Donald Trump | reprodução/X/@liderfiscal
Donald Trump | reprodução/X/@liderfiscal

A petroleira dos EUA, North American Blue Energy Partners (NABEP), deverá assumir a operação de campos de petróleo na Venezuela que, até agora, estavam sob controle de empresas chinesas e de uma companhia estatal russa. A mudança foi confirmada à Reuters por duas autoridades dos Estados Unidos nesta segunda-feira (31).

A transferência dos ativos integra um amplo acordo de cooperação no setor de petróleo anunciado pelo presidente Donald Trump em parceria com o governo venezuelano.

Termos do acordo e participação do governo dos EUA

De acordo com integrantes do governo dos EUA, a NABEP recebeu 14 concessões como parte do pacote negociado com Washington. A empresa, que já pertenceu ao empresário norte-americano Harry Sargeant, é atualmente controlada pelo venezuelano Alejandro Betancourt e conta com apoio do governo dos Estados Unidos.

Pelos termos do acordo, a NABEP ficará responsável pela operação dos campos. Em contrapartida, o governo norte-americano terá uma participação de 35% na companhia e direito de acesso preferencial a 20% do petróleo produzido, adquirido pelo preço de custo. A Casa Branca também informou que o Departamento de Estado terá preferência na compra dos 80% restantes da produção.


Montagem de Trump a frente da bandeira da Venezuela (foto: reprodução/X/@IranObserver0)


O anúncio feito por Trump na semana passada reforçou a dimensão estratégica da parceria. Segundo o presidente, o acordo entre os EUA e empresas privadas abre caminho para o acesso a aproximadamente 64 bilhões de barris de reservas comprovadas de petróleo venezuelano.

Segundo anúncio feito pela presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, 29% do faturamento ficará para o país sul-americano.

Redirecionamento de reservas e impacto geopolítico

A mudança pode ter impactos importantes sobre a estrutura produtiva venezuelana. E, principalmente, sobre quem terá maior influência nas decisões envolvendo a produção, a comercialização e o destino do petróleo extraído no país.

Segundo as autoridades dos EUA, cinco das 14 concessões estavam nas mãos de empresas chinesas, em um modelo de negócios desenvolvido durante o governo de Nicolás Maduro. Outra concessão era explorada por uma empresa de origem russa.


Anúncio de Delcy Rodríguez (foto: reprodução/X/@AnaliseGeopol)


Entre os ativos transferidos está a participação da China Concord Resources, companhia que foi sancionada pelos Estados Unidos em 2019 por transações relacionadas ao regime iraniano. A empresa administrava dois dos campos incluídos no acordo.

Os demais ativos chineses estavam sob responsabilidade da Sinopec e da China National Petroleum Corp. (CNPC), com cada companhia à frente de um projeto.

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