EUA levantam debate sobre possível enquadramento de facções brasileiras como terroristas
Mauro Vieira conversou com Marco Rubio para tentar evitar que PCC e CV sejam classificados pelos Estados Unidos como organizações terroristas
Em telefonema realizado neste domingo (8), o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, conversou com o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, para discutir a possibilidade de Washington classificar facções criminosas brasileiras como Organizações Terroristas Estrangeiras. Durante a conversa, o chanceler brasileiro buscou evitar que grupos como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o (CV) sejam incluídos nessa lista.
A classificação de um grupo como Organização Terrorista Estrangeira pelos Estados Unidos traz uma série de consequências legais e políticas. Entre elas, torna-se crime no país oferecer qualquer tipo de “apoio material” à organização, como dinheiro, treinamento, armas ou serviços. Além disso, ativos financeiros ligados ao grupo podem ser congelados, transações passam a ser proibidas e integrantes ou associados podem ter vistos negados ou até ser deportados. A medida também tende a ampliar o isolamento internacional dessas organizações e dificultar suas fontes de financiamento.
Desde o início do segundo mandato de Donald Trump, em 2025, os Estados Unidos já designaram 25 organizações estrangeiras como terroristas. Um dos casos mais recentes é o Cartel de los Soles, grupo venezuelano que Washington afirma ser liderado pelo presidente Nicolás Maduro. Segundo o governo americano, o cartel atua em parceria com a gangue venezuelana Tren de Aragua, também classificada como organização terrorista, no envio de drogas para os EUA. Na época, Trump afirmou que a designação amplia as ferramentas legais de Washington, inclusive com a possibilidade de atingir alvos ligados a Maduro em território venezuelano.
A conversa entre Vieira e Rubio
Além do tema da designação de organizações terroristas, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, também discutiram a possível viagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Washington, D.C.. Lula pretende realizar uma visita oficial à Casa Branca para se reunir com o presidente Donald Trump. A expectativa inicial era que o encontro ocorresse ainda em março, mas a dificuldade de conciliar as agendas dos dois líderes adiou a definição de uma data.
A possibilidade de o governo dos Estados Unidos classificar facções criminosas brasileiras como organizações terroristas não é recente, mas ganhou novos contornos após um ataque militar americano na Venezuela, em janeiro deste ano. Pela legislação norte-americana, o secretário de Estado pode designar grupos como Organizações Terroristas Estrangeiras em consulta com os Departamentos de Justiça e do Tesouro. A medida abre caminho para sanções financeiras, restrições migratórias e outras ações contra essas organizações, incluindo operações de segurança no exterior.
A discussão sobre classificar facções brasileiras como organizações terroristas ocorre em meio ao aumento da atenção internacional ao crime organizado transnacional. Pela legislação dos Estados Unidos, o secretário de Estado pode incluir um grupo nessa lista quando ele representa ameaça à segurança americana, o que abre caminho para sanções financeiras, restrições migratórias e outras medidas de segurança. Nesse cenário, a iniciativa diplomática do governo brasileiro busca evitar que a classificação avance e amplie a pressão internacional sobre o país, mantendo o tema no centro do diálogo entre Brasília e Washington.
