EUA e Irã se aproximam de acordo de paz e preveem assinatura nas próximas horas
Estados Unidos e Irã chegam a um consenso quanto aos pontos do acordo de paz; reabertura do Estreito de Ormuz está entre as principais medidas solicitadas
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou por meio de suas redes sociais que o acordo de paz entre Washington e Teerã será assinado nesse domingo (14). A declaração reacendeu a esperança de um possível encerramento do conflito que, há mais de três meses, vem gerando instabilidade política e militar no Oriente Médio.
A possível assinatura do tratado ocorre após cerca de 100 dias de confrontos e tensões diplomáticas entre os dois países. Durante esse período, ataques a bases militares, disputas relacionadas ao programa nuclear iraniano, lançamentos de mísseis e o envolvimento de aliados regionais ampliaram a preocupação internacional sobre os impactos da guerra para a segurança global e para a população civil afetada pelos confrontos.
Pontos importantes do acordo
Ao comentar o avanço das negociações, Trump afirmou que o acordo poderá representar uma nova fase nas relações entre os países e destacou a reabertura do Estreito de Ormuz como um dos principais resultados esperados. A passagem marítima é considerada uma das rotas comerciais mais estratégicas, sendo responsável por uma parcela significativa do transporte mundial de petróleo.
Nos últimos meses, o estreito se transformou em um dos principais pontos de pressão durante as negociações. O governo iraniano condicionou a normalização do tráfego marítimo ao fim de restrições impostas pelos Estados Unidos a portos e embarcações ligadas ao país.
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Donald Trump afirma que acordo será assinado nesse domingo (Foto: reprodução/Instagram/@realdonaldtrump)
Embora ainda não exista um documento oficial divulgado integralmente pelos governos envolvidos, diferentes fontes internacionais apresentaram detalhes sobre os temas discutidos nas negociações. Informações divulgadas com base em autoridades iranianas apontam que o memorando prevê um novo cessar-fogo de 60 dias em todas as frentes do conflito, incluindo operações militares no Líbano.
As informações também indicam a reabertura imediata do Estreito de Ormuz, a retomada gradual do fluxo comercial aos níveis registrados antes da guerra e a flexibilização progressiva de sanções econômicas impostas ao Irã. Em contrapartida, Teerã assumiria compromissos relacionados ao seu programa nuclear.
Já fontes ligadas ao governo norte-americano, ouvidas pela Reuters, afirmam que o entendimento inclui a reabertura da rota marítima e medidas voltadas ao desmantelamento do programa nuclear iraniano. Segundo essa versão, ativos financeiros congelados pelas sanções continuariam bloqueados até que os termos acordados fossem efetivamente cumpridos.
Por outro lado, veículos estatais iranianos divulgaram uma interpretação diferente do memorando. De acordo com as informações publicadas em Teerã, o país pretende manter o direito ao enriquecimento de urânio e ao controle estratégico sobre o Estreito de Ormuz, defendendo ainda a retirada de forças militares norte-americanas da região e a suspensão das sanções econômicas atualmente em vigor.
Apesar das divergências, os diferentes relatos apresentam pontos em comum, especialmente no que diz respeito ao cessar-fogo, à reabertura da rota marítima e à busca por mecanismos capazes de reduzir a escalada militar observada nos últimos meses.
Ao comentar o possível avanço diplomático, Trump declarou que espera uma implementação tranquila do acordo e afirmou desejar construir uma relação mais estável com os países do Oriente Médio nos próximos anos.
Divergências sobre assinatura mantêm cenário de cautela
O primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, afirmou que os dois governos estariam mais próximos de um consenso e classificou o momento como uma oportunidade histórica para encerrar as hostilidades. Em publicação compartilhada posteriormente por Trump, Sharif declarou que as partes estariam mais próximas de um acordo de paz do que em qualquer outro momento desde o início da crise.
We are closer to a peace deal than ever before. With finalisation likely expected in the next 24 hours, Pakistan is preparing for the electronic signing of the peace deal immediately after, followed by technical level talks next week.
We would like to thank United States of…
— Shehbaz Sharif (@CMShehbaz) June 13, 2026
Shehbaz Sharif declara sobre esperança de acordo (Foto: reprodução/X/@CMShehbaz)
Apesar do clima de otimismo demonstrado por parte dos negociadores, representantes do governo iraniano adotaram um tom mais cauteloso. Esmail Baghaei, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, negou que a assinatura ocorra neste domingo (14) e afirmou que ainda será necessário aguardar a definição oficial de uma data para formalização do memorando.
Segundo Baghaei, a possibilidade de um entendimento segue em discussão, mas informações relacionadas à conclusão do processo devem ser divulgadas apenas após a confirmação oficial por ambas as partes. A declaração reforçou a existência de diferenças sobre o estágio atual das negociações.
Enquanto isso, Sharif informou que o Paquistão deverá participar de uma etapa inicial de formalização eletrônica do acordo nas próximas 24 horas, embora as discussões detalhadas e os procedimentos diplomáticos continuem ocorrendo nas semanas seguintes.
A expectativa em torno do tratado ganhou força após Trump anunciar, na última quinta-feira (11), que os representantes dos dois países teriam alcançado consenso sobre questões consideradas fundamentais para o encerramento do conflito. A declaração ocorreu pouco depois de uma série de ofensivas militares registradas na região.
Na ocasião, o presidente norte-americano afirmou que optou por interromper novas ações militares após receber sinalizações positivas das equipes de negociação. Segundo ele, os representantes envolvidos conseguiram avançar sobre os principais pontos pendentes da proposta de paz, criando condições para a elaboração de um memorando de entendimento.
Trump também declarou que autoridades iranianas teriam demonstrado concordância com os termos gerais do documento, especialmente aqueles relacionados à não proliferação nuclear. O presidente voltou a defender que qualquer acordo futuro deve garantir que o Irã não desenvolva armamentos nucleares.
Entretanto, poucos minutos após as declarações do líder norte-americano, autoridades iranianas contestaram a informação. A agência estatal Fars informou que nenhum texto definitivo havia sido aprovado até aquele momento e ressaltou que as negociações permanecem em andamento.
