EUA e Irã anunciam acordo em primeira rodada de negociações na Suíça
Debates acontecem em território suíço e contam com mediação do Paquistão e Catar; países tentam um acordo definitivo nas próximas reuniões
Nesta segunda-feira (22), a primeira fase das negociações do memorando de acordo assinado na última semana foi protagonizada por Estados Unidos e Irã, visando encerrar a guerra no Oriente Médio que envolve os EUA e Israel contra os iranianos. O encontro entre as delegações ocorreu na cidade de Bürgenstock, na Suíça, e teve uma duração de aproximadamente 18 horas de debates.
Mediadores apontam acordo inicial sobre temas sensíveis
A divulgação dos detalhes ocorreu por meio de um comunicado conjunto emitido pelos mediadores do diálogo, o Paquistão e o Catar. De acordo com a nota oficial, um acordo inicial foi alcançado por Estados Unidos e Irã para solucionar os tópicos de maior sensibilidade que aparecem listados no memorando de entendimento. Dentre esses pontos complexos, destacam-se a guerra em andamento no Líbano e o processo de enriquecimento nuclear iraniano.
O Ministro das Relações Exteriores do Irã afirma que os Estados Unidos continuam sendo um inimigo e que qualquer acordo foi redigido apesar da falta de confiança mútua. Isso diz tudo. Para o regime do Irã, os Estados Unidos não são um rival temporário, mas um inimigo ideológico… pic.twitter.com/qmynKBopbR
— Verdades e Nada Mais 🥇 (@VerdadeseNadaMa) June 15, 2026
Ministro das Relações Exteriores do Irã (Foto: reprodução/X/verdadesenadama)
A previsão é que os debates tenham continuidade no decorrer de toda a semana, segundo destacaram os próprios mediadores: “As partes mediadoras continuarão fazendo o possível para garantir que as negociações sejam conduzidas em um ambiente construtivo, com o objetivo de alcançar um acordo final.”
Histórico de acordos nucleares entre Washington e Teerã
A possibilidade de impor restrições à capacidade nuclear do Irã aparece há décadas como uma das principais questões de interesse da política externa de Washington. O então presidente Barack Obama firmou, em 2015, um tratado com o antigo líder Khamenei que estabelecia limites para as capacidades nucleares do país, assegurando que o enriquecimento de urânio ocorresse apenas para fins energéticos.
O pacto também abria espaço para a inspeção frequente das instalações e a fiscalização do cumprimento do uso estritamente civil. O afrouxamento das sanções econômicas aplicadas contra a nação persa seria concedido em troca dessas concessões.
No ano de 2018, Donald Trump optou por rasgar o tratado sob a alegação de que as condições eram benéficas demais para o país do Oriente Médio. O Irã elevou o grau de enriquecimento de urânio logo após voltar a sofrer com as sanções, motivadas pelo descumprimento da parte americana no acordo. Uma retomada do pacto com a promessa de nova retirada de sanções foi tentada pelo governo de Joe Biden, mas a tentativa não obteve sucesso por conta da quebra de confiança anterior.
Tensões geopolíticas e os conflitos no Líbano
O país estaria muito próximo de conseguir desenvolver uma arma nuclear no momento atual, segundo afirma Donald Trump, mas a hipótese acaba sendo totalmente descartada por Teerã.
BREAKING:
Pakistan has decided to officially recognise Israeli PM Netanyahu as a terrorist. pic.twitter.com/vFjU9EQd8u
— Globe Eye News (@GlobeEyeNews) July 20, 2024
Benjamin Netanyahu (Foto: Reprodução/X/@globeeyenews)
O encerramento imediato das hostilidades no Líbano, local onde o grupo Hezbollah trava um conflito contra o Estado de Israel em apoio ao Irã na guerra, é uma das exigências feitas pelo memorando de conciliação. Outros acordos anteriores de cessar-fogo acabaram sendo rompidos no passado devido ao não cumprimento, por parte de Israel, do compromisso de cessar os ataques em território libanês.
