Postura dos EUA contra Irã pode agravar inflação americana

Endurecer a postura contra o Irã pode elevar o preço do petróleo e pressionar a inflação nos EUA, alerta o economista Marcello Estevão, do IIF

21 ago, 2026
Donald Trump | reprodução/X/@areamilitarof
Donald Trump | reprodução/X/@areamilitarof

Endurecer o tom contra o Irã pode sair muito caro para os próprios americanos. O alerta partiu do economista Marcello Estevão, diretor do Institute of International Finance (IIF), durante entrevista ao programa WW, da CNN, nesta quinta-feira (20). Segundo ele, uma nova rodada de atritos diplomáticos, militares ou financeiros com Teerã traz um risco imediato para os EUA: a alta do preço do petróleo.

Se a tensão escalar, a oferta global do produto encolhe rapidamente no mercado internacional. Com isso, os preços do barril disparam. O problema é que essa conta chegaria no pior momento possível para Washington.

Inflação e dívida recorde nos EUA

A Casa Branca e o Federal Reserve já enfrentam dificuldades para conter a inflação persistente no mercado interno. Para piorar o quadro fiscal, a dívida pública dos Estados Unidos acaba de bater o patamar histórico de US$ 40 trilhões.


Iranianos em manifestação (Foto: reprodução/X/@sputnik_brasil)


Estevão foi direto ao avaliar esse impacto em cadeia: “Uma posição mais rígida em relação ao Irã vai simplesmente aumentar o choque de oferta”. Para o especialista, o efeito rebote seria inevitável. “Ter um choque, acima de tudo isso, seria muito ruim para a economia americana”, alertou.

Discurso duro e poucos resultados

O economista também questionou a real eficácia das ameaças americanas, apontando um padrão frequente de recuos recentes. “Há uma tendência desse governo de ameaçar e depois voltar atrás”, observou. Na prática, sanções e bloqueios anteriores geraram resultados bem menores do que os esperados pelo governo.


Montagem de Donald Trump ao lado de Abbas Araghchi (Foto: reprodução/X/@AnaliseGeopol)


Por trás dessa insistência, argumenta Estevão, não existe uma lógica financeira responsável, mas sim puro cálculo eleitoral e midiático. “Ele não pensa como um gestor da economia americana. Ele pensa como um ator político que quer ter uma legacy de força, de conquista”, afirmou. Na visão do especialista, são decisões pautadas pela vaidade política, ignorando completamente os custos que a população americana terá de pagar nas bombas de combustível.

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