EUA negam existência de rascunho de acordo com o Irã e classificam informação como “invenção”
Mesmo com impasses relacionados ao programa nuclear iraniano e a temas militares, Washington e Teerã mantêm conversas em busca de um acordo
A Casa Branca rebateu nesta quarta-feira (27) as reportagens divulgadas pela mídia estatal do Irã sobre um suposto rascunho de acordo entre o país e os Estados Unidos, classificando as informações como uma “completa invenção”. Segundo os veículos iranianos, o entendimento incluiria a retirada de forças militares americanas das proximidades iranianas e o fim do bloqueio aos portos do país. Apesar da negativa oficial, alguns pontos citados coincidem com declarações de autoridades americanas, que afirmaram que o presidente Donald Trump estaria disposto a suspender o bloqueio caso o Irã permita a livre passagem de navios comerciais pelo Estreito de Ormuz.
Negociações em busca de um acordo
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, convocou uma reunião de gabinete na Casa Branca para esta quarta-feira (27), em meio às negociações diplomáticas mediadas pelo Paquistão. O secretário de Estado americano, Marco Rubio, afirmou que ainda existem divergências entre as partes sobre pontos específicos do possível acordo. Nos últimos dias, Trump declarou que as negociações avançam de forma “ordenada e construtiva”, mas ressaltou que Washington não pretende “se precipitar em um acordo”.
EUA chamam suposto acordo com Irã sobre bloqueio naval de “invenção total” (Video: Reprodução/YouTube/@uol)
Apesar do avanço das conversas diplomáticas, a tensão segue elevada na região. O Irã acusou os Estados Unidos de violarem repetidamente o cessar-fogo e de atacarem navios mercantes iranianos e áreas próximas ao Estreito de Ormuz. O governo iraniano classificou as ações americanas como sinais de “engano e traição” por parte de Washington. Já os EUA confirmaram ataques que definiram como ações de “autodefesa” contra posições iranianas próximas ao estreito, alegando a necessidade de proteger tropas americanas na região.
Como avançam as negociações?
Autoridades do Irã afirmaram que as negociações com os Estados Unidos já avançaram em diversos pontos de um possível memorando de entendimento, que teria cerca de 14 tópicos principais. Apesar disso, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmaeil Baghaei, destacou que ainda não há garantia de um acordo definitivo no curto prazo. A proposta prevê uma redução gradual das tensões e um período de até 60 dias para negociações mais detalhadas sobre questões consideradas estratégicas, especialmente relacionadas ao programa nuclear iraniano.
De acordo com o diplomata Hossein Nooshabadi, o possível acordo preliminar incluiria medidas como o encerramento dos conflitos em diferentes regiões, incluindo o Líbano, a liberação de ativos iranianos bloqueados, o fim do bloqueio naval americano, a reabertura do Estreito de Ormuz, a retirada de tropas americanas das proximidades do Irã e a retomada das exportações de petróleo iraniano. Segundo ele, o documento inicial não aborda diretamente o programa nuclear do país, tema que segue como um dos principais impasses nas negociações entre Teerã e Washington.
Apesar das sinalizações de avanço nas negociações entre Estados Unidos e Irã, as divergências sobre temas estratégicos, especialmente o programa nuclear iraniano e a presença militar americana na região, ainda impedem um acordo definitivo. Enquanto os dois lados mantêm conversas diplomáticas e discutem medidas para reduzir as tensões, o cenário segue marcado por desconfiança mútua e episódios de conflito próximos ao Estreito de Ormuz.
