Venezuela deve transferir US$ 4 bilhões em ouro para os EUA, diz jornal britânico
Tratativas entre governo venezuelano e oposição avançam para transferir reserva de ouro da Inglaterra para os EUA; medida ocorre após alívio em sanções
O jornal britânico Financial Times publicou, nesta quinta-feira (17), que o governo da Venezuela e os blocos de oposição estão nos últimos trâmites para o envio da reserva de ouro para os Estados Unidos. De acordo com a publicação, o montante de US$ 4 bilhões (R$ 21,8 bilhões) está em um banco na Inglaterra e será encaminhado para o Federal Reserve Bank de Nova York nas próximas semanas.
Em termos, o acordo garante ao governo interino de Delcy Rodríguez o controle sobre o metal, mas impõe o bloqueio à liquidação dos ativos. Interlocutores do governo venezuelano explicam que o país pretende usar os valores como garantia na obtenção de empréstimos internacionais.
Histórico da disputa
O avanço dessas negociações representa o primeiro resultado do diálogo entre o governo venezuelano e a oposição. As conversas têm o apoio do governo de Donald Trump. Segundo a Casa Branca, o objetivo é fixar as bases para novas eleições no país. Os Estados Unidos mantêm presença no país e atualmente controlam o acesso às reservas de petróleo, além de minerais raros estratégicos.
Venezuela negocia transferência de US$ 4 bilhões em ouro para NY; Mehero e Motta comentam
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September 18, 2026
Reserva de ouro deve sair do Banco da Inglaterra e seguir para o Federal Reserve Bank de Nova York (Vídeo: reprodução/Instagram/@JovemPanNews)
O novo acordo encerra uma disputa de sete anos pelo controle do ouro. O impasse começou em 2019, quando Estados Unidos, Reino Unido e aliados estrangeiros romperam com a Venezuela e reconheceram Juan Guaidó, então chefe da Assembleia Nacional, como presidente legítimo da Venezuela.
EUA analisam fim das sanções
A oposição reivindica o controle das barras de ouro no Banco da Inglaterra desde o início do impasse político. O caso chegou a ser analisado pela Suprema Corte do Reino Unido, segundo o Financial Times. A possível transferência dos ativos sinaliza uma abertura do país, antes limitado internacionalmente pelo controle de Nicolás Maduro.
O governo americano afrouxou parte das sanções impostas ao país após a operação militar americana que capturou e prendeu o então presidente Maduro, em janeiro. Em outra frente, o Fundo Monetário Internacional (FMI) retomou as relações oficiais com a Venezuela em abril, o que encerrou um hiato de sete anos e liberou o acesso do governo a recursos da instituição.
