Europa enfrenta quarta onda de calor com incêndios e rios em níveis críticos

Nova onda de calor extremo atinge o continente e afeta a infraestrutura das cidades, enquanto a falta de chuva preocupa e provoca escassez de água e energia

04 ago, 2026
Onda de calor amplia incêndios pela Europa | Reprodução/X/@France24_en
Onda de calor amplia incêndios pela Europa | Reprodução/X/@France24_en

O verão europeu está longe de dar uma trégua. A Europa enfrenta sua quarta onda de calor desde maio, com temperaturas que podem ultrapassar os 40°C em algumas regiões, além de incêndios de grandes proporções, evacuações e impactos na saúde e na infraestrutura. Espanha, Portugal e França estão entre os países mais afetados, enquanto outras regiões do continente também se preparam para dias de calor extremo.

Temperaturas acima dos 40ºC

Na Espanha, os termômetros podem chegar a 42°C ou mais, principalmente no sul do país. Portugal também enfrenta condições preocupantes, com áreas do centro, norte e sul sob alto risco de incêndios. Já a França deve registrar temperaturas próximas dos 40°C em algumas regiões antes que o núcleo de calor avance para o centro e o leste europeu.

Até o Reino Unido entrou na rota do calor intenso. No sudeste da Inglaterra, as temperaturas podem chegar aos 35°C, um cenário especialmente complicado para um país cujas casas e edifícios, em geral, são preparados para conservar o calor durante o inverno, e não para enfrentar longos períodos de temperaturas elevadas.

Enquanto os termômetros sobem, incêndios avançam em diferentes pontos do continente. França e Espanha já registraram mortes, destruição de imóveis e operações de evacuação. Portugal, Irlanda e Reino Unido também enfrentam condições consideradas favoráveis à propagação das chamas.


 

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Temperaturas na Europa ultrapassam os 40ºC (Foto: reprodução/Instagram/@pixels_3000)


Calor extremo vira combustível para incêndios

A atual onda de calor é impulsionada por uma área persistente de alta pressão sobre parte da Europa. O fenômeno dificulta a chegada de frentes frias e mantém o céu aberto por vários dias, fazendo com que o ar aqueça ainda mais.

A situação fica ainda mais complicada com a chegada de massas de ar quente vindas do Norte da África. Ao mesmo tempo, a falta de chuva deixa o solo e a vegetação cada vez mais secos. Na prática, o cenário cria uma combinação perigosa: temperaturas elevadas, pouca umidade e vegetação pronta para pegar fogo.

É justamente essa combinação que ajuda a explicar a velocidade com que alguns incêndios avançam. As altas temperaturas não são necessariamente responsáveis pelo início das chamas, que muitas vezes estão relacionadas a ações humanas, acidentes ou falhas em redes elétricas. Mas, quando o terreno está extremamente seco, folhas, galhos e pastagens se transformam em combustível.

O vento completa o cenário ao espalhar brasas e dificultar o trabalho das equipes de emergência. Na França, no sudoeste do país, e no norte da Espanha, algumas áreas estão entre as mais ameaçadas. Portugal também colocou grandes regiões sob risco máximo de incêndios.

Na Escócia, centenas de bombeiros, funcionários e voluntários foram mobilizados para combater um incêndio próximo ao Parque Nacional de Cairngorms. Na Grécia, o primeiro-ministro Kyriakos Mitsotakis afirmou que o país teria “dias difíceis pela frente” diante da combinação de calor, vento e vegetação seca.

Considerada o continente que se aquece mais rapidamente no mundo, a Europa registrou temperaturas acima do normal em quase toda a sua extensão, resultando em milhares de mortes anuais ligadas ao calor. Reforçando a gravidade do problema, o secretário-executivo da ONU para Mudança Climática, Simon Stiell, enfatizou: “A onda de calor brutal na Europa carrega as marcas da crise climática por toda parte, é o preço mais recente a pagar pela poluição dos combustíveis fósseis que assola nosso planeta.”


Área incendiada na Europa (Foto: reprodução/Jeffrey Groeneweg/Getty Images Embed)


Do calor nas ruas aos rios em níveis críticos

O problema, no entanto, vai muito além da sensação de calor. A sequência de ondas extremas também começa a pressionar a saúde da população, o abastecimento de água, a produção de energia e o transporte.

O continente já passou por três episódios de calor desde o fim de maio. O primeiro ocorreu ainda durante a primavera e trouxe temperaturas recordes para o período. Em Portugal, por exemplo, os termômetros chegaram a 40,3°C em Mora. França e Reino Unido também registraram marcas muito acima da média.

O episódio mais intenso aconteceu entre meados e o fim de junho. Depois, outra onda atingiu principalmente a França no início e em meados de julho. Agora, a quarta avança pelo oeste, centro e sul da Europa. A frequência desses eventos chama atenção porque o continente é considerado a região que mais aquece no planeta. O aquecimento global não cria sozinho cada onda de calor, mas contribui para elevar as temperaturas de base e aumentar a frequência, a intensidade e a duração desses episódios.

Efeito das altas temperaturas na saúde

O corpo humano precisa manter sua temperatura interna dentro de limites estáveis para funcionar corretamente. Em dias de calor intenso, o organismo tenta se resfriar liberando suor e aumentando o fluxo sanguíneo próximo à superfície da pele. No entanto, em períodos prolongados de altas temperaturas, especialmente quando combinadas com alta umidade, esse sistema natural de refrigeração pode falhar.

As consequências incluem desidratação, insolação e o agravamento de problemas cardiovasculares, respiratórios e renais, afetando principalmente idosos, crianças, doentes crônicos, trabalhadores ao ar livre e pessoas que vivem em habitações mal ventiladas.

As noites quentes também preocupam. Quando a temperatura não cai o suficiente depois do pôr do sol, o corpo tem menos tempo para se recuperar do estresse provocado pelo calor durante o dia.

Situação crítica pode causar falta de água e energia 

E os efeitos não param por aí. A falta de chuva e as temperaturas elevadas aumentam a evaporação e reduzem a quantidade de água disponível em rios e reservatórios. Isso pode afetar desde a agricultura até a produção de energia.

No Danúbio, um dos principais rios europeus, os níveis mais baixos já prejudicam a navegação, o turismo e a geração de energia em países como Hungria e Romênia. O Reno, importante rota para o transporte de cargas entre Suíça, Alemanha e Holanda, também apresenta redução no nível da água. Na Itália, a situação do rio Pó preocupa agricultores e autoridades, principalmente por causa dos impactos na irrigação e no abastecimento.

O calor também chega aos trilhos, estradas e pontes. Temperaturas muito altas podem provocar a expansão dos trilhos ferroviários, deformar o asfalto e causar problemas em estruturas metálicas.


Trilhos amoleceram após calor intenso na Alemanha (Foto: reprodução/Instagram/@geopoliticaestrategica)


Com o avanço do verão, a expectativa é de que diferentes regiões da Europa ainda enfrentem dias de calor intenso. Enquanto o oeste concentra os maiores extremos neste momento, o núcleo de altas temperaturas deve avançar gradualmente para o centro e o leste do continente. Mais do que uma temporada de praia, o verão europeu de 2026 tem sido marcado por um alerta que se repete: o calor extremo já não é apenas desconfortável, ele traz consequências cada vez maiores para a população, para o meio ambiente e para o funcionamento das cidades.

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