Filme de Bolsonaro sofre denúncias de set mesmo com investimento milionário
Denuncias incluem relatos de agressões físicas de seguranças, tratamento diferenciado entre a equipe brasileira e a americana e comida estragada
A produção do filme “Dark Horse”, que é inspirada na trajetória e reconta o atentado que utilizou uma faca contra o ex-presidente Jair Bolsonaro, é alvo de diversas denúncias feitas por profissionais que trabalharam no set entre outubro e novembro de 2025, mesmo após a revelação de um investimento milionário de R$ 61 milhões por Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
Denúncias No Set
As queixas formalmente levantadas pela produção, técnicos e figurantes do filme Dark Horse, estão em um relatório de dezembro do Sindicato dos Artistas e Técnicos em Espetáculos de Diversões de São Paulo (SATED/SP).
As informações que incluem relatos e denúncias de agressões físicas, revistas abusivas, cachê descontado, tratamento diferenciado entre a equipe brasileira e a americana e alimentação insuficiente, inadequada e até estragada foram divulgadas pela Revista Fórum em 03/12 e pelo site do SATED/SP em 04/12 de 2025.
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Filme Dark Horse (Vídeo: reprodução/Instagram/@michellebolsonarofcb)
O relato menciona má alimentação e diferença de tratamento. A equipe principal do filme, majoritariamente estrangeira, especificamente atores, diretor e produtores norte-americanos, tinha acesso a café da manhã, almoço em self-service e até lanche da tarde. Já os figurantes do set recebiam apenas um kit-lanche de pão com frios, uma maçã, uma paçoca e um suco.
O documento registra denúncias sobre o fornecimento de comida estragada no dia 30 de outubro de 2025, de acordo com o ator Bruno Henrique: “Muita gente lá comeu comida estragada, passou mal, teve gente que não podia ir ao banheiro e acabou fazendo as necessidades na roupa”. Além da clara divergência de tratamento, a alimentação dada aos atores era insuficiente para jornadas superiores a 8 horas de gravação.
Os trabalhadores ainda afirmaram que alguns figurantes precisavam pagar R$ 10 pelo transporte até as gravações, valor que era cobrado em dinheiro ou descontado do cachê ao fim da diária, além de atrasos nos pagamentos, cachês abaixo do preço de mercado e pagamentos em dinheiro sem emissão de nota fiscal.
Agressão no Set
Um dos funcionários que deixou seu depoimento reunido na denúncia foi o ator Bruno Henrique, que contou um episódio de agressão por membros da segurança durante uma diária no Memorial da América Latina, no dia 21 de novembro de 2025.
Segundo o relato, a produção definiu a proibição de celulares no set, mas não disponibilizou armários ou nenhum meio seguro para armazenamento de seus pertences.
Bruno decidiu entrar com o aparelho na gravação; contudo, conta que foi abordado por um americano que grudou em seu braço e o arrastou para fora do Memorial. O segurança deu um tapa na mão de Bruno e lhe deu um soco; o ator conta que fez corpo de delito.
As denúncias também mencionam que as revistas na entrada das locações tinham abordagens inadequadas, com toques em partes íntimas dos figurantes.
SATED/SP e SINDICINE
O SATED/SP destacou que os relatos serão apurados pelas autoridades competentes, a presidenta do SATED-SP, Rita Teles, afirmou ser necessário um rigor maior do Ministério do Trabalho.
O Sindcine ressalta que produções estrangeiras necessitam apresentação de contratos e precisam obedecer às regras trabalhistas e registrar tanto a equipe nacional quanto a internacional, além de destacar que estrangeiros devem recolher uma taxa de 10% destinada ao fundo social do sindicato.
