Flávio Bolsonaro se mostra confiante na vitória e convida autoridades estrangeiras para eventual posse
Após liderar primeiro turno com 47% dos votos, candidato intensifica aproximação com líderes conservadores da América Latina, Estados Unidos e Israel
Em vídeo divulgado na última quarta-feira (7), o senador Flávio Bolsonaro (PL) dirigiu um convite direto ao presidente da Colômbia, Abelardo de la Espriella, para participar de sua cerimônia de posse em janeiro de 2027. A mensagem marca uma estratégia de Flávio de consolidar apoios internacionais antes mesmo da votação do segundo turno, marcada para 25 de outubro.
No vídeo, Flávio endereçou-se pessoalmente a Espriella com uma proposta de trabalho conjunto. O candidato afirmou:
“Não vejo a hora de começar a trabalhar junto com o senhor como presidente do Brasil e quero lhe convidar para minha posse como presidente, que vai ser no dia 6 de janeiro”.
Em seguida, Flávio pediu que o presidente colombiano anotasse a data. “‘Save the date’. Salve a data, por favor, presidente”, completou.
A data escolhida diverge da legislação em vigor. De acordo com a R7.com, a nova lei estabelece 5 de janeiro de 2027 como data oficial da posse presidencial, um dia antes daquele que Flávio marcou.
Vantagem numérica no primeiro turno
Os números da primeira etapa da eleição sustentam a confiança de Flávio antes da reta final. Segundo o Tribunal Superior Eleitoral, Flávio Bolsonaro recebeu 47% dos votos válidos, enquanto Lula conquistou 45%. A margem de vantagem coloca o candidato ligeiramente à frente pouco mais de uma semana antes do segundo turno.
O presidente da Colômbia respondeu ao convite com uma fala que equilibrou o apreço pela candidatura de Flávio com uma limitação pessoal. De acordo com o vídeo exibido pela R7.com, Abelardo declarou:
“Eu iria feliz à sua posse. Você sabe do apreço que tenho pelos Bolsonaro. Sabe como amo o Brasil, sonho em ir a Salvador, ao Rio, a São Paulo, em comer uma boa carne. Mas eu prometi não sair da Colômbia em quatro anos”.
Em alternativa, Abelardo sugeriu aprofundar a relação bilateral através de um encontro futuro em solo colombiano.
Flávio e seu irmão Eduardo já havia se encontrado com Abelardo em maio de 2026, durante a campanha presidencial colombiana. Na ocasião, os três discutiram medidas contra o narcotráfico e a possibilidade de classificar facções criminosas como organizações terroristas. Flávio sinalizou, então, que integraria o Brasil ao Escudo das Américas, programa de segurança estadunidense que Abelardo recém adotou.
Flávio Bolsonaro (Foto: reprodução/ Ton Molina/ Getty Images Embed)
Estratégia internacional e apoios domésticos
O fortalecimento de relações com líderes de direita marca a tática de Flávio para consolidar sua candidatura. Javier Milei, presidente da Argentina, compareceu à convenção do PL em agosto. Donald Trump e Binyamin Netanyahu, respectivamente presidente dos Estados Unidos e premiê de Israel, manifestaram apoio público através de redes sociais.
Eduardo Bolsonaro atua como articulador dos apoios internacionais para seu irmão. O senador pela São Paulo alimenta a pretensão de ocupar o Ministério das Relações Exteriores em um possível governo Flávio. O próprio Eduardo divulgou o vídeo da conversa com Abelardo em seu canal no YouTube, estratégia que amplifica a visibilidade do alinhamento internacional.
No plano doméstico, ACM Neto, presidente do União Brasil, anunciou apoio a Flávio na mesma quarta-feira (7). O político declarou que a Bahia, quarto maior colégio eleitoral brasileiro, permanece unida em torno da candidatura. ACM Neto participará pessoalmente de atos de campanha no estado, ao lado de prefeitos e deputados federais eleitos.
O Partido Republicanos também oficializou apoio a Flávio Bolsonaro na mesma data. A mobilização de legendas com força eleitoral consolida a posição do candidato na reta final.
O governo de Luiz Inácio Lula da Silva acompanha com reserva o envolvimento de Abelardo e demais alinhamentos internacionais com Flávio. Conforme apuração da R7.com, o Palácio do Planalto espera que líderes de Chile, Peru, Paraguai, Bolívia e Equador se abstenham de interferir na disputa brasileira, apesar da afinidade ideológica que compartilham com o candidato do PL.
