Flávio Bolsonaro cita Banco Master, Lula e ‘golpe da Disney’ em entrevista à Globo
Senador declarou que financiamento do filme Dark Horse foi relação privada e exigiu explicações do presidente sobre o Banco Master
O senador Flávio Bolsonaro (PL) afirmou nesta sexta-feira (28) que não houve contrapartida parlamentar no financiamento do filme Dark Horse pelo banqueiro Daniel Vorcaro. A declaração veio durante a quinta entrevista da série que a TV Globo realiza com candidatos à Presidência, conduzida por Renata Vasconcellos e César Tralli.
Flávio sustentou que a relação com Vorcaro era exclusivamente privada e deslocou o foco para o governo Lula, pedindo explicações sobre o escândalo do Banco Master. A entrevista também abrangeu críticas à condenação de seu pai, Jair Bolsonaro, e promessas eleitorais.
O financiamento de Dark Horse
Flávio apresentou sua defesa sobre o elo com Vorcaro ressaltando que não há ilegalidade na operação. “Não tem absolutamente nada de errado em um filho buscar financiamento para o filme do próprio pai”, declarou o senador. Ele reafirmou que sua única conexão com o investidor referia-se ao projeto cinematográfico.
Quanto a eventuais contrapartidas em seu mandato no Senado, foi categórico:
“Não teve nenhuma contrapartida no meu mandato no Senado para esse investidor. Foi um patrocínio que não tem nenhuma transferência para Flávio Bolsonaro”.
Em maio, The Intercept revelou mensagens trocadas entre Flávio e Vorcaro mostrando negociações sobre a produção. Segundo a publicação, foram negociados R$ 134 milhões, dos quais R$ 61 milhões teriam sido efetivamente repassados. Dark Horse é um longa sobre Jair Bolsonaro.
Ao ser perguntado se divulgaria detalhes sobre os gastos da produção, Flávio recusou-se a aprofundar, classificando a relação com Vorcaro como privada. Sobre a prestação de contas, afirmou que a produtora já a apresentou durante investigação em andamento na Polícia Civil de São Paulo.
“Todo o patrocínio que foi feito foi usado no filme. Eu pedi à produtora que apresentasse a prestação de contas, e isso foi feito na investigação que corre na Polícia Civil de São Paulo”, declarou.
Ver essa foto no Instagram
Flávio Bolsonaro (Vídeo: reprodução/Instagram/@portalg1)
Acusações contra o governo federal
Flávio buscou transferir o ônus do escândalo para o Planalto. Disse que Lula é quem possui obrigação de esclarecer a situação envolvendo o Banco Master. Citou perícia realizada indicando ausência de recursos públicos desviados.
A Polícia Federal abriu investigação para verificar se valores foram empregados em despesas de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. Até agora, não há conclusão que comprove tal desvio. O ministro Flávio Dino autorizou a PF a acessar documentos que permanecem com a Polícia Civil de São Paulo.
Reação à condenação do ex-presidente
A entrevista também incluiu questionamento sobre a sentença contra Jair Bolsonaro. O ex-presidente recebeu pena de 27 anos e 3 meses de prisão por sete crimes, entre eles organização criminosa armada, tentativa de golpe de estado e tentativa de abolição violenta do estado democrático.
Flávio criticou severamente o julgamento, chamando-o de “grande farsa armada para tirar Bolsonaro da vida pública”. Argumentou que seu pai foi condenado por adversários. Questionou ainda como Bolsonaro pôde ser responsabilizado por depredação estando nos Estados Unidos.
Sobre os atos de 8 de janeiro de 2023, Flávio os designou como um “golpe da Disney”, conforme informação da emissora. O ex-comandante da Aeronáutica Carlos Almeida Baptista Junior afirmou ter participado de reuniões em que Bolsonaro discutiu minuta de teor golpista. Flávio questionou a credibilidade do militar, afirmando que ele está pedindo voto para Lula.
Compromissos com a democracia
Quando indagado se respeitaria o resultado eleitoral em caso de derrota, Flávio prometeu que sim, mas apresentou ressalva imediata. “Eu não vou perder. E digo mais, vou ganhar no primeiro turno”, afirmou.
Sobre urnas eletrônicas, o senador reconheceu que errou ao citar informação falsa acerca do sistema brasileiro. Havia solicitado a representantes diplomáticos estrangeiros que enviem observadores para o pleito de outubro. Negou, contudo, ter questionado o processo eleitoral em si.
Economia e política externa
Flávio atribuiu ao governo Lula a aplicação de tarifas a produtos brasileiros pelos Estados Unidos. Reconheceu que Eduardo errou ao agradecer as sanções. “O governo que gasta demais e aumenta impostos de forma alucinada. Com isso, a taxa de juros vai lá para a lua: 14% é o maior juro real do mundo”, disse.
Afirmou ter pedido a Donald Trump o cancelamento das tarifas, além de fazer pedidos complementares. Sustentou ter dito ao republicano que Lula trabalha para que as tarifas sejam mantidas. Mencionou que, com sua presidência, haveria condições de negociação favorável.
Apoios e apoiadores controversos
Flávio foi questionado sobre a medalha Tiradentes concedida a Adriano da Nóbrega em 2005. Afirmou que à época Nóbrega era um policial reconhecido e vítima de acusações falsas. Havia sido autor de moção de louvor no ano anterior.
Adriano da Nóbrega é apontado como um dos principais matadores do estado do Rio de Janeiro. Flávio também comentou o apoio à pré-candidatura de Rodrigo Bacellar à prefeitura. Bacellar foi preso no âmbito da Operação Unha e Carne III, sendo apontado como responsável por vazamentos de informações de operação contra o Comando Vermelho. Flávio afirmou que é muito grave se as acusações forem comprovadas e que Bacellar tem direito de se defender e provar inocência na Justiça.
Distância reduzida nas pesquisas
As pesquisas mais recentes indicam redução da margem entre os dois candidatos. Na pesquisa Quaest divulgada em meados de agosto, Lula aparece com 43% e Flávio com 40% na simulação de segundo turno, com margem de erro de dois pontos percentuais.
O resultado representa retorno ao patamar anterior ao caso Dark Horse. Em maio, após a revelação do elo com Vorcaro, Lula abriu oito pontos de distância. A vantagem encolheu até chegar ao empate técnico.
